segunda-feira, outubro 22, 2007

jnnf, ano XXXVI, nº 379 (Outubro 2007)

Página 1

Editorial
As comunidades retomam o seu compromisso pastoral marcadas pela Semana da Educação Cristã
«O suave peso de educar»
Uma reflexão sobre a relação entre a educação e as comunicações sociais
1. Os meios de comunicação social, na crescente vastidão das suas modalidades e das sofisticadas tecnologias que lhes estão associadas, constituem uma singular revelação do génio inventivo da humanidade. Em particular, os meios mais modernos são "autênticas maravilhas saídas do género humano" (1).
Os acontecimentos, as ideias e as imagens que constantemente transmitem, as descobertas científicas e técnicas que divulgam e as culturas que difundem dotam as pessoas de novos meios de percepção do mundo, contribuem para estreitar os laços de união da humanidade, despertam atitudes de solidariedade e estimulam o progresso material e espiritual.
Podemos reconhecer que, dadas as características de expansão quase universal e de profunda influência dos meios de comunicação social, não existe lugar onde não seja sentido o seu impacto no comportamento religioso e moral, nos sistemas políticos e sociais e na educação (2).
Tal influência reveste-se também, frequentemente, de aspectos negativos, que afectam o desenvolvimento pessoal, social e espiritual das pessoas, particularmente das mais jovens, e comprometem o progresso autêntico da humanidade. São fruto do domínio de lóbis económicos e ideológicos, que dissimulam a verdade e condicionam a liberdade. Traduzem-se na divulgação de modelos culturais que fomentam o individualismo e o relativismo moral, na criação de necessidades artificiais, na promoção de programas e de redes de contactos que ferem a dignidade humana, no uso e abuso das pessoas para fins predominantemente utilitaristas e economicistas. Disso se ressente, também, a visão desvirtuada e tendenciosa da religião e da Igreja, que frequentemente divulgam.

2. A
Igreja tem o maior apreço pela comunicação social e por quantos a ela se dedicam. Na complexidade das estruturas e dos códigos de linguagem dos meios de comunicação, na beleza e na harmonia com que unem a palavra e a imagem, nas imensas capacidades de aproximar pessoas e povos, na perfeição tecnológica e nas admiráveis possibilidades que se anunciam de simular mundos virtuais de aventura e de projecção de ideais sociais, em tudo isto a Igreja vê o poder criador de Deus, de que o ser humano, feito à sua imagem e semelhança, participa.
Os meios de comunicação são dons que Deus põe ao serviço dos homens e "constituem um dos mais valiosos recursos de que o homem pode usar para fomentar o amor, fonte de união" (3). Orientados nesta direcção, colocam-se ao serviço da vontade salvífica de Deus e seguramente contribuirão para o desenvolvimento pleno da pessoa e das sociedades, em ordem à construção da "civilização do amor". E, na perspectiva cristã, esta comunhão de amor "encontra o seu fundamento e figura no mistério primordial da inter-comunicação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que vivem uma única vida divina" (4).
3. Cristo é o "perfeito Comunicador" (5). Deus incarnado e plenitude da revelação, Cristo comunicou a sua mensagem pela palavra e o dom da sua vida, de forma compreensível e iluminadora das situações de vida das pessoas do seu tempo.
A Igreja tem por missão anunciar Cristo e a sua mensagem. Enraizada no mundo e comprometida com o presente e o futuro da humanidade, assume a comunicação como constitutiva da sua própria essência (6).
Através dos seus próprios meios de comunicação social, ou daqueles que a sociedade coloca ao seu dispor, a Igreja não só divulga a mensagem e a vivência do Evangelho, contribuindo assim para a educação da fé dos cristãos, como, pela divulgação das suas perspectivas sobre a vida e a história da humanidade, abre-se ao diálogo com a sociedade, dando o seu contributo específico para a construção de uma cultura que integre os valores humanos e cristãos, e, desse modo, concorra para a formação integral do ser humano.
4. "Os complexos desafios que se apresentam para a educação nos dias de hoje estão frequentemente vinculados à ampla influência dos meios de comunicação social no nosso mundo" (7). São questões que afectam a sociedade, no seu todo, e, particularmente, as instituições educativas. Por isso, afectam também a Igreja, comprometida, pela sua própria natureza, na missão educativa.
Nesta Semana Nacional da Educação Cristã, propomos aos educadores cristãos - pais, professores de Educação Moral e Religiosa Católica ou de outras disciplinas, párocos, catequistas e outros educadores - e a quantos se lhes queiram associar, a reflexão e o debate sobre alguns desafios que os meios de comunicação social lançam à educação das crianças e dos jovens, a saber:

  • a formação das crianças e dos jovens para a correcta utilização dos meios de comunicação social;
  • a preparação dos educadores para o conhecimento e o uso de novas tecnologias de comunicação;
  • a capacitação humana e material das estruturas de coordenação educativa para melhor responderem às novas exigências de formação, com meios adequados.

Não é nosso objectivo dar respostas definitivas a estas questões. Queremos, apenas, lançar algumas pistas de reflexão e sugestões, como seguem.
5. Educar as crianças para o uso correcto dos meios de comunicação social é uma responsabilidade irrenunciável dos pais, da escola e da Igreja.
O crescimento acelerado de novas formas de comunicação social - que assume o seu expoente na internet - e o acesso cada vez mais facilitado aos instrumentos tecnológicos, sobretudo a televisão, o computador e o telemóvel, conduzem a uma situação de concorrência entre a influência formativa dos meios de comunicação social e a da família, da escola e da Igreja, por vezes geradora de conflitos (8). Efectivamente, essa desarmonia pode alterar a qualidade das relações humanas, tão necessária ao desenvolvimento equilibrado das personalidades.
Não raro, pais, professores, catequistas e outros educadores, sentem-se ultrapassados pelos seus filhos e educandos, sobretudo por três factores: a vastidão de informações e de conhecimentos que adquirem através das novas tecnologias, que dominam de forma quase mecânica; os programas de entretenimento, que facilmente os isolam dos contactos interpessoais, privando-os, entre outras coisas, do diálogo familiar; e as vastas relações que estabelecem, não isentas de formas dissimuladas de manipulação. Para essa corrida sedutora aos meios de comunicação contribui muito a influência dos grupos de idades afins em que jovens e crianças estão inseridos.
Há que enfrentar e responder a este desafio colocado a todos os educadores, procurando que se formem adequadamente no conhecimento e na utilização das novas tecnologias, descobrindo as riquezas e os riscos a ela associados. Esta é uma condição essencial para poderem orientar as crianças e os jovens para um uso crítico dos meios de comunicação social, em que se deixem guiar por critérios e valores que lhes permitam fazer escolhas enriquecedoras, crescendo, desse modo, no exercício de uma liberdade responsável.

O papel que os pais devem assumir neste ponto é de importância primordial, pois são os primeiros responsáveis pela formação dos filhos para o uso prudente dos mecanismos oferecidos pelas novas tecnologias.
6. No campo da educação, há que estabelecer o equilíbrio entre a formação adquirida pela imagem, predominante nas mensagens televisivas e que mobiliza, especialmente, emoções, sentimentos e afectos, e a formação veiculada pelos processos que valorizam a leitura, mais apta a estimular uma racionalidade e uma reflexão fundamentais num crescimento humanamente integral.
Estabelecer esse equilíbrio, que garante o desenvolvimento integral das capacidades da criança e do jovem, é um desafio a todas as instâncias educativas, de modo especial à Catequese e à Educação Moral e Religiosa Católica, numa fase de preparação e lançamento de novos catecismos, manuais e outros materais didáctico-pedagógicos.
7. Finalmente, apelamos aos órgãos de coordenação da Catequese e do Ensino Religioso Escolar, em plano diocesano e nacional, aos responsáveis das escolas católicas e aos párocos para que progridam na utilização de recursos educativos, investindo em equipamentos e em formação, criando páginas electrónicas que veiculem propostas próprias ou resultantes das suas pesquisas.
8. Educar é uma tarefa sempre complexa e difícil. Ser educador é um dom e uma responsabilidade.
Nas circunstâncias actuais, adensam-se as problemáticas e impõem-se novas exigências formativas para os educadores. Unidos a Cristo, que disse: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu vos aliviarei" (Mt 11, 28), estaremos seguros de poder experimentar "o suave peso de educar".

É importante clarificar
PUCA - Plano de Urbanização da Cidade de Aveiro

Pelo plano aprovado, agora com um novo período de reclamação – chamamos à atenção do Edital, na Página 4 – podemos afirmar que a cidade de Aveiro vem até Nossa Senhora de Fátima! Contudo, notamos, com justificada preocupação, que o PUCA apenas traz até às portas das nossas casas “zonas industriais, armazenagem, serviços e comércio”!?
Compete a todos nós reflectir sobre estas mudanças.
Apresentamos mais cicno sugestões de reflexão.

Primeira - O desenvolvimento é óptimo mas tem de ser sustentado na clareza de processos e no equilibro entre as causas e os efeitos (por exemplo, uma fábrica pode ser óptima num determinado terreno mas se vai acabar com o futuro das pessoas é melhor repensá-la, deslocá-la). Quem é que aceita, não estando a contar, um presente tão bem embrulhado, com um bonito rótulo (“zonas industriais, armazenagem, serviços e comércio”), que não diz nada de substancial, apenas “Artigo 42º - Definição e Usos
1- Zona que se caracteriza por uma ocupação dominante de edificações de uso industrial e de armazenagem. 2- Serão ainda admitidos usos comerciais, de serviços e, quando se justificar, habitação destinada a guarda das instalações ” O artigo seguinte (do Regulamento do referido Plano, no site da Câmara), continua vago até no que diz respeito às zonas verdes “g) Deverá garantir-se uma arborização adequada à ocupação prevista no lote ou parcela” – o que é “adequada”? Um árvore de 100 em 100 metros? Duas? Um pinheiro? Eucaliptos?...
Segunda– Há qualquer coisa de estranho num Plano de Urbanização que invade uma freguesia sem consultar os habitantes dessa freguesia, fazendo de conta que os terrenos afectos à zona industrial pertencem à freguesia da Oliveirinha! É estranho, não é? Acreditando que os técnicos da Câmara (desde topógrafos, que fizeram o levantamento dos terrenos, aos advogados, que conhecem as leis nacionais) não são ignorantes… aquilo está em Nossa Senhora de Fátima!
Terceira – Há qualquer coisa de anacrónico, sem sentido, num Plano Urbano (urbano!?) que não respeita os elementos urbanos já aprovados pela mesma entidade (Câmara Municipal de Aveiro)! Um bairro, o do Chão Velho, de moradias unifamiliares, fica literalmente cercado por uma zona industrial!? O que é que isto tem de urbanismo ou de planificação?
Quarta – Aparentemente, esta pode ser uma valorização com muito interesse para a Póvoa do Valado, para a Freguesia no seu todo. Porém, fica de fora o mais importante: as pessoas e os serviços essenciais para o seu dia-a-dia (Regulamento do PUCA). Um plano urbano com uma zona industrial, por coincidência assinalada, destacada, no mapa com a cor roxa, uma cor que, na nossa cultura judaico-cristã é associada à tristeza, aos tempos de sacrifício, de conversão (Advento e Quaresma), quando faz fronteira ou é inserido numa malha habitacional deve contemplar, no mínimo, todas as virtudes e vicissitudes dessa decisão. Passe o exagero, é a mesma coisa que uma pessoa construir uma casa e encaminhar todas as saídas de dejectos por o quintal do vizinho porque isso já não lhe pertence (e no caso, Nossa Senhora de Fátima ainda é concelho de Aveiro!);
Quinta – Porque é que não se envolve toda a freguesia no PUCA, de uma forma harmoniosa, com serviços, equipamentos, comércio, zonas habitacionais, solo rural, estruturas ecológicas, etc?! Fica de fora para mais tarde ser retalhada com um outro plano qualquer que destrua umas tantas residências e, às pessoas, seja disponibilizada habitação social no Bairro de Santiago, do Griné ou outros idênticos a construir!?
È preciso unir esforços e pedir os esclarecimentos devidos junto da Câmara, como está referido no Edital já citado.

M. Oliveira de Sousa

Assembleia de Freguesia de Nossa Senhora de Fátima

Sobre o PUCA. Dia 14 de Outubro de 2007, às 15.30h, no Salão Polivalente

Página 2

Movimento Paroquial
Nossa Senhora de Fátima

Baptismo
Foi baptizado na igreja de Nossa Sra. Fátima, no dia 9 de Setembro, Luís Manuel Lopes Fernandes, filho de Maria Manuela de Sousa Lopes e António Luís Maia Fernandes. Foram padrinhos António e Emília.

Bodas de Ouro matrimoniais
No dia 15 de Setembro celebraram as bodas de ouro matrimoniais o Sr Vítor Manuel Dias de Carvalho e a D. Maria Fernanda Marques Mostardinha. A ocasião serviu para juntar a família e dar graças a Deus por meio século de vida em comum, pelas muitas coisas boas que se edificaram e, porque não, as que nem sempre foi possível fazer a contento de todos; a obra de Deus é construída ano após ano e, cada ano, tem sempre – no que isto tem de simbólico –as suas Primaveras, os seus Outonos, os seus Invernos mas também a luz da primavera e do Verão que se reflecte no futuro.
O “Notícias de Nariz e Fátima” apresenta votos de das maiores bênçãos de Deus para estas famílias.

Falecimentos


No dia 31 de Agosto, faleceu, com 58 anos de idade, Cláudio Portugal Ferreira Barreiro, de Mamodeiro. Os seus familiares, mãe, esposa e filhos, agradecem o acompanhamento prestado por todas as pessoas nestes dias de luto.


No dia 23 de Setembro, faleceu, com 56 anos de idade, Albino Jorge Carvalho Parado, da Póvoa do Valado.
A sua família apresenta profundo agradecimento a todos os que apresentaram condolências e acompanharam neste momentos de dor.


Amigos do Jornal
Nariz

Amílcar Loureiro 5€, Anónimo 5€, Grupo de Jovens de Nariz (Escrina) 94,17€, Idalete Oliveria Simões 10€, Maria Natália J. Figueiredo (S.J. Talha) 10€, Valdemar Magalhães 10€.
Verba
Amélia Moreira 5€, Antónoi Cândido 6€, Fernanda Barros 7€, Juta Bartel 10€, Madalena Martins 10€, Manuel Dias 20€, Mara da Luz 6€, Maria Encarnação 6€.
Mamodeiro
António Luís Maia Fernandes 20€, Hermínio Esteves 5 €.
Póvoa do Valado
Albino Freitas 5 €, Carlos Cação (França) 20€, Célia Oliveira 5€, João Pereira da Silveira (França) 20€, Laurinda Simões Coutinho 5€, Maria Irene Cação 5€, Olímpia Júlia de Jesus 5€.
Póvoa do Valado (Chão Velho)
Adélio Silva 10€, Ana Simões 10€, Carlos F. Santos 7€, Cristina Simões 10€, Ismael Seixas 5€, Manuel Gregório Gonçalves 10€, Pedro Marques 4€.

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Testemunhos de vida
O Pe Artur partiu para o Pai
Nos anos 1944, 45, 46, deslocava-me ao Seminário de Aveiro dois dias por mês para cortar o cabelo aos seminaristas, e nem só, pois era, ao tempo, profissional de barbearia.
Foi aí que conheci o seminarista Artur Tavares de Almeida; era conhecido por Artur “Avanca”, porque existia outro Artur naquele estabelecimento de ensino.

Cortei o cabelo muitas vezes ao “Avanca” sem sequer pensar que esse mesmo “Avanca” viria a ser, mais tarde, Pároco da minha freguesia e que, embora modestamente, eu viesse a ser seu auxiliar em algumas tarefas.
Colaborei com o Pe Artur na execução de vários trabalhos de interesse comunitário. Posso dizer que passou pela freguesia um homem imitável mas dificilmente inigualável. Esse HOMEM, e escrevo com maiúsculas, foi o Pe Artur Tavares de Almeida.
Sacerdote íntegro, inteiramente submisso aos votos de pobreza, castidade e obediência aos seus superiores hierárquicos, que livremente escolheu na sua ordenação. Acérrimo defensor das suas convicções, austero e obstinado, muito dinâmico, empreendedor e trabalhador, era exigente em pedir mas bem generoso a dar.
Por tudo o que fez pela freguesia é merecedor de ser apontado como exemplo, pois abriu um espaço único de definido, onde se espelha a grandeza da sua obra, a força do seu talento e o desprendimento total a favor do próximo, reservando apenas para si a recompensa divina.
Altamente compreensivo para com os seus detractores, aqueles que o criticavam e por vezes aviltavam, o Pe Artur respondia calmamente… “eles não são maus, querem confessar publicamente que nada fazem”!
Fazendo fé no adágio que diz pelo sabor dos frutos que se classifica a árvore, temos de afirmar que a árvore morreu de pé e os frutos atesta a sua existência. Por aquilo que deixo dito e por muito mais, sem favor poderia dizer, o Pe Artur conseguiu ultrapassar a barreira da morte e continua vivo, e bem vivo, e podemos vê-lo, admirá-lo sempre que olharmos para as obras que realizou.
Obrigado Pe Artur!
Que o Pai o receba na sua Glória e lhe conceda a Paz; aquela Paz que nem sempre lhe facultámos na terra!

Augusto Branco


Dos nossos leitores - Parábolas com memória

O menino pobre a rica avarenta
Em Fevereiro de 1954, um menino de doze anos, pobre, frequentava a Escola Primária, como na altura se chamava, e levava na sua sacola um pequeno lanche: um punhado de azeitonas e um naco de pão de milho (alternada, outras vezes, com uma cebola crua com sal!).
Certo dia ao regressar a casa, depois de se despedir dos seus amigos, em que cada qual seguiu o seu rumo, saltou a tapada que vedava um pomar de laranjeiras com a intenção, motivada pela fome, de ali apanhar algumas.

Começou, como se imponha o respeito pelo alheio, a apanhar as que estavam no chão, a estragarem-se. De repente, ouve uma voz grave a chamar pelo seu nome. O pequenito, reconhecendo a dona do pomar à janela da sua casa. Esta convida o pequenito a sair pelo portão do quintal, a não saltar a vedação, e a trazer as laranjas que apanhara. O miúdo, envergonhado com a franqueza da senhora, fez como esta mandou.
Ao sair, a dona perguntou-lhe: “quantas laranjas levas?” “Seis” – respondeu o pequeno. “Então deixas essas aí e leva seis daquele cesto!” – retorquiu a senhora.
Meio desconfiado… lá cumpriu a ordem! E quando retoma o caminho, dá início sôfrego à magra refeição. Primeira laranja… podre; segunda, também; terceira… seca!? Nem uma! Nem uma se aproveitou!
“Esta agora” – pensou – “estes ricos são mesmo avarentos. Escolhi das mais fracas e ainda me deu pior que isso! Deixa estar que não hás-de ficar sem resposta”!
Passados uns dias, sendo tempo de laranjas, tempo Inverno, no regresso da escola, com a merenda do costume, nem tempo houve para degustar a meia dúzia de azeitonas, dada a pancada de água e as rajadas de vento! Ao passar o quintal viu a “manta” de laranjas que o temporal estava a derrubar, e… zás! “Não é tarde, nem é cedo” – comentou para si próprio. Saltou a cerca, abeirou-se de um molhe de canas e com toda a força que pode, derrubou das melhores.
Pegou no saco que servia de capuz, enche-o, e, banhado em água, carregou para casa laranjas para um mês!
E todos os dias, enquanto aquelas duraram, fez questão de, no percurso para a escola, deixar umas tantas cascas à porta da senhora!
Assim, mesmo não sendo uma atitude que orgulhe alguém, ia tentando reparar a avareza extrema de quem tudo quer.

José de Sousa Oliveira

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Gente da nossa gente
Nome:
Mónica Vieira Rodrigues
Idade:
17
Profissão:
Estudante
O que mais gosto:
Viver a vida! Estar rodeada pelos meus amigos e família, e poder dividir com eles todas as experiências que me vão surgindo no quotidiano. E … chocolate!
O que menos gosto:
Passar roupa a ferro (risos).
Actualmente estás a começar o 12º ano. É um ano de muita responsabilidade. Quais são as expectativas?
É verdade! É um ano muito exigente e importante na vida escolar de um aluno, repleto de novas emoções, da escolha definitiva para o próprio futuro profissional. É o ano que antecede a um novo e grande passo da nossa vida, isto é, a universidade. Neste momento as expectativas são promissoras e espero poder alcançar todos os meus objectivos de modo a que no próximo ano lectivo seja, enfim, uma caloira!
Que pensas seguir? (Universidade, que curso e porquê)
Pois…esse é ainda o meu grande dilema, porque ainda não está totalmente definida a minha decisão. Mas tenho em vista prosseguir os meus estudos na área da nutrição e deste modo irei, provavelmente, estudar na universidade do Porto, para tirar o curso de nutricionista. É algo ainda em fase de decisão, mas é uma profissão muito actual e com saída profissional porque, actualmente, a saúde e o bem-estar da sociedade são fundamentais e cada dia aumenta a preocupação das pessoas sobre problemas como a obesidade, excesso de peso, e este tipo de problemas pode acarretar diversas complicações a nível de saúde pessoal da sociedade, e no entanto são tão simples de prevenir com a ajuda de um profissional qualificado.
Numa altura em que se fala muito da qualidade de ensino e das escolas, como é que analisas o teu ambiente escolar (condições da escola, ambiente etc)?
Actualmente, eu frequento a escola secundária Dr. Mário Sacramento em Aveiro. Esta foi a escola que eu optei para prosseguir os meus estudos. É uma escola com um ambiente entre alunos razoável e com uma relação aluno/professor muito familiar. Como é óbvio tem alguns aspectos menos positivos, mas nada que também não haja nas outras escolas da cidade, assim como também apresenta aspectos muito bons. Em termos de professores, temos professores espectaculares, que nos cativam para a vida escolar e nos aliciam a estudar, mas como “não há bela sem senão”, existem alguns membros, que nós alunos, desejaríamos não ter o prazer de conhecer. (risos)
Mas nem tudo na vida é estudo ou trabalho. Como gostas de ocupar os teus tempos livres?
Esta é a melhor parte da vida! Eu gosto de fazer muitas coisas, de ler um grande livro ou uma simples revista, ir ao cinema ou ver um bom filme na TV, ir à praia/piscina no verão, fazer desporto (era membro da equipa de voleibol do desporto escolar da minha escola e habitualmente costumo fazer jogging ou andar de bicicleta ao final do dia, etc), adoro estar com os amigos para pôr a conversa em dia ou passar o dia completamente isolada do resto mundo a ouvir música, a pensar na vida e naquilo que ela se está e pode vir a tornar. O segredo para uma feliz e longa vida é aprender a saborear cada momento como se este fosse único e não se voltasse a repetir. Por isso, eu tento viver cada dia como se todos fossem especiais, pois na verdade nós não sabemos o que nos reserva o futuro de amanhã.
Na paróquia entre outras coisas, és acólita. Como é que surgiu a vontade de integrar esse grupo?
É verdade! Já faço parte do grupo de acólitos da paróquia à alguns anos, desde tenra idade! E sinto-me privilegiada por poder colaborar e dar o meu contributo à nossa comunidade desta forma. Esta ideia surgiu de repente, tendo sido na altura influenciada pelas minhas colegas que também estavam a pensar entrar para o grupo e de facto essa não me soou de todo estranha e pensei que seria uma boa experiência a passar e acordei um dia e decidi: “Mãe, quero entrar para os acólitos!”
Participas-te também no último campo de férias. Como é que foi essa experiência?
Inesquecível! Foi o meu primeiro campo de férias e como sempre tinha ouvido os meus irmãos comentarem acerca dos campos de férias da paróquia em que eles tinham participado e sempre falaram com tanto entusiasmo e vivacidade, que eu fiquei logo entusiasmada com a ideia de poder participar e este ano como estava disponível e recebi o convite para participar, decidi ver como seria esta nova aventura. E digo desde já, muito obrigado e parabéns à organização e para o ano estaremos cá todos para participar outra vez! Eu recomendo vivamente, é uma semana diferente, longe da civilização (TV, Internet, telemóvel, MP3, etc), e além de tudo é óptimo para travar novas amizades e até mesmo fortalecer as amizades que já levamos de fora. Foi, sem dúvida, uma semana muito bem passada com um grande contacto com a natureza cheia de actividades e novas sensações.

PUCA - novo período de discussão pública
Câmara Municipal de Aveiro
EDITAL N.º 172/2007

ÉLIO MANUEL DELGADO MAIA, PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL
DE AVEIRO
Faz público na sequência da Reunião Pública de 23 de Julho de 2007, em que a Câmara Municipal de Aveiro ponderou os resultados da discussão pública do Plano de Urbanização da Cidade de Aveiro, e aprovou a versão final da proposta do plano, tendo ainda deliberado a abertura de um novo período de discussão pública, face às alterações ocorridas.
No cumprimento da legislação aplicável, foi publicado o edital 713-B/2007 de 31 de Agosto, na II Série do Diário da República, a publicitar a abertura do novo período de discussão publica, a qual irá decorrer desde o dia 17 de Setembro de 2007 a 19 de Outubro de 2007.
Durante este período a proposta acompanhada do parecer da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional e dos demais pareceres emitidos, encontra-se disponível para consulta, no Departamento de Desenvolvimento e Planeamento Territorial – DDPT, no Edifício do Centro Cultural e de Congressos, sito no Cais da Fonte Nova, e nos Edifícios das Juntas de Freguesia do Município de Aveiro a seguir indicadas: Aradas; Eixo; Esgueira; Glória; Oliveirinha; Santa Joana; São Bernardo e Vera-Cruz, e ainda no site da Câmara Municipal de Aveiro (www.cm-aveiro.pt).
Os interessados, devidamente identificados, devem apresentar as suas reclamações, observações, sugestões, e pedidos de esclarecimentos, mediante requerimento dirigido ao Presidente da Câmara, com entrada no Atendimento Geral da CMA, ou através de formulário disponível no DDPT e no site da CMA..
Para constar e devidos efeitos se lavrou o presente edital e outros de igual teor, que vão ser anunciados e afixados nos lugares do estilo.
Aveiro, Câmara Municipal, 13 de Setembro de 2007
O PRESIDENTE DA CÂMARA,

Dr. Élio Manuel Delgado Maia

sábado, setembro 01, 2007

jnnf, ano XXXVI, nº 378 (Agosto-Setembro 2007)

Pe Artur Tavares de Almeida
1929-2007
Nasceu, em Avanca, a 13 de Abril de 1929.
Ordenação Sacerdotal, em Avanca, em 3 de Julho de 1955.
Coadjutor de Requeixo, com a capelania de Mamodeiro e Póvoa do Valado, de 1955 a 1960.
Primeiro pároco de Nossa Senhora de Fátima, em 13 de Agosto de 1960.
Pároco de Nariz, em 29 de Junho de 1961.
Director Espiritual dos Convívios Fraternos da Diocese de Aveiro de 1974 a 1996.
Pároco de Oiã, em 10 de Setembro de 1995.
Faleceu, em 16 de Agosto de 2007.
(cfr páginas 3 e 4 deste número)
página 1
Editorial
Acção de Graças pelo Ministério do Pe Artur
Eis-me Senhor, Luz do meu caminho,
leva-me mais longe!
Que a minha atitude seja firme e molde o meu carácter;
Que o meu coração seja dócil e se transmita em olhar límpido;
Faz-me generoso e humilde, como é próprio de quem se guia por dons eternos!
Modela-me para que possa ser pedra viva na construção de uma Igreja mais Santa
e de um mundo mais humano e solidário,
em que cada peça deste maravilhoso puzzle seja o verso da Tua face!
Que seja tudo para todos:
Com as crianças, os idosos e os doentes, os primeiros apóstolos da família;
Com os emigrantes que levam memórias e trazem o pão;
Com os jovens, de abraço fraterno e disponibilidade absoluta para servir;
Com os casais, homens e mulheres das nossas comunidades que, com o seu trabalho,
as suas associações, as suas organizações, nos aproximam das belezas da criação.
Senhor,
A oração das horas de cada dia e no altar da eucaristia
Renove todos os passos da minha vida,
Uma vida que seja oração e consagração em todas as obras que edifique.
E quando o sol aparecer no meu horizonte definitivo,
Que eu esteja pronto para a última jornada!
E quando o meu olhar se declinar sobre a Tua cruz,
e vir nela reflectido o meu próprio rosto, possa testemunhar aos que me confiaste:
“Como S. Paulo, combati o bom combate, guardei a fé!
Que se erga uma nova manhã, plena de vocações,
para continuar a unir como fazem as pontes!”
M. Oliveira de Sousa

página 2
Movimento Paroquial
Fátima
- Manuel Ferreira Valente, de Mamodeiro, nascido em 27 de Janeiro de 1949, com 58 anos de idade, faleceu no dia 3 de Agosto.
O Sr Valente, pai do Pedro Valente, elemento da direcção do “Notícias de Nariz e Fátima”, é uma perda enorme para todos, naturalmente a começar pela sua família. Homem empenhado no desenvolvimento de Nariz e Fátima, pois tinha laços familiares às duas comunidades, sempre pronto e com iniciativa a todos os níveis deixa-nos a meio da idade. Todos somos passageiros nesta terra mas quando a obra fica a meio custa ver partir quem tanto tinha para dar. Associamo-nos à sua família e assumimos também este canto de esperança e saudade:
Custa-nos muito acreditar
Como pudeste partir assim.
Nunca vamos deixar de te amar,
Pois o nosso amor por ti não tem fim.

- João Gonçalves de Almeida, com 69 anos de idade, da Perajorge, casado com Ascensão Marques de Jesus, faleceu no dia 19 de Abril. O seu funeral realizou-se no dia seguinte.
- Maria Marques da Costa, da Póvoa do Valado, com 82 anos de idade, faleceu no dia 11 de Agosto. O seu funeral realizou-se no dia seguinte.
A sua família agradece a todos os que acompanhar a sua mãe e avó à sua última morada.


Nariz

Baptismos
- No dia 15 de Julho, na Igreja Paroquial, recebeu o sacramento do Baptismo Bruno Tomás Martins Marques, filho de Carlos José Dias Marques e de Dalila Maria Martins Pereira, residentes na Rua do Tojal de Cima, em Nariz. Foi padrinho Carlos Alberto da Silva.
- No dia 29 de Julho, na Igreja Paroquial, recebeu o sacramento do Baptismo Salomé Lopes Simões, filha de Moisés da Costa Simões e de Maria da Conceição Lopes Jacinto, residentes actualmente em Friburgo (Suiça), e naturais de Verba. Foram padrinhos Telmo Filipe Lopes Freire e Patrícia Moreira da Costa.
- No dia 12 de Agosto, na Igreja Paroquial, recebeu o sacramento do Baptismo Tomás Frederico Marques Santos, filho de Carlos Célio Leite dos Santos e de Maria Celeste dos Santos Marques Santos, residentes na Rua Direita, em Verba. Foram padrinhos Fernando Alberto Martins Maia e Fernanda Paula dos Santos Marques.
- No dia 15 de Agosto, na Igreja Paroquial, recebeu o sacramento do Baptismo Alexia Braz Cerqueira, filha de António Luís Gonçalves Cerqueira e de Marlene Simões Martins Vieira Braz Cerqueira, residentes actualmente no Luxemburgo. Foram padrinhos José Maria Gonçalves Cerqueira e Elza Maria Seixas.
- No dia 19 de Agosto, na Igreja Paroquial, recebeu o sacramento do Baptismo Ruben Miguel Neves Antunes, filho de Carlos Libório Antunes e de Maria de Fátima Varela das Neves, residentes na Rua Ribeirinho II, em Nariz. Foi madrinha Natacha Katherine Oliveira Rondon.
- No mesmo dia 19 de Agosto, na Igreja Paroquial, recebeu o sacramento do Baptismo Diogo Emanuel Fonseca Ribeiro, filho de Jorge Luís da Silva Ribeiro e de Isabel Marisa Pereira da Fonseca, residentes na Rua Dr. Girão Pereira, em Nariz. Foi madrinha sua tia Marilina da Silva Ribeiro.
- No mesmo dia 19 de Agosto, na Igreja Paroquial, recebeu o sacramento do Baptismo Gabriel Ferreira Reis, filho de Sérgio Ferreira dos Reis e de Graciete Moreira Ferreira, residentes na Rua Ribeirinho I, em Nariz. Foi padrinho Nelson Ferreira Barbosa.
Aos pais e padrinhos e, em especial, ao Bruno, à Salomé, ao Tomás, à Alexia, ao Ruben, ao Diogo e ao Gabriel, Notícias de Nariz e Fátima deseja muitas felicidades e muitos anos de vida cristã.
Matrimónios
- No dia 15 de Agosto celebraram o seu matrimónio, na Igreja Paroquial de Nariz, Marlene Simões Martins Vieira Braz Cerqueira, de 25 anos, natural da freguesia da Glória, residente na Rua Direita, em Verba, filha de Manuel Vieira Braz e de Maria Lúcia Simões Martins Braz, e António Luís Gonçalves Cerqueira, de 29 anos, natural da freguesia de Rego, concelho de Celorico de Basto, e residente na Rua Direita, em Verba, filho de Arlindo Vaz Cerqueira e de Carminda Gonçalves Pereira.
A este jovem casal, Notícias de Nariz e Fátima deseja as maiores felicidades, extensivas a seus pais, desejando-lhes muitos anos de vida em comum.
NOTA: Tivemos conhecimento que pessoas da nossa Paróquia contraíram matrimónio nos meses de Julho e Agosto, mas não em Nariz. Os dados que mensalmente aqui apresentamos reportam-se sempre aos assentos do Registo Paroquial em S. Pedro de Nariz. Por esta razão, não podemos apresentar os dados que não possuímos em registo.
A Direcção do JNNF
Falecimento
- No dia 9 de Julho, faleceu Maria Rodrigues de Almeida, de 95 anos de idade, viúva de Ilídio Bastos Palheirinho. Era filha de Beatriz Rodrigues de Almeida. Natural de S. João de Loure (Albergaria-a-Velha), residia na Rua do Carral, 6, em Verba.
Às famílias enlutadas, Notícias de Nariz e Fátima apresenta sentidas condolências.

Festa em honra de Nª Sª das Preces – Póvoa do Valado
Quinta, 30 de Agosto, 21h – Procissão de velas
Sexta, 31 de Agosto, - música, sardinhada às 20h e arraial nocturno (Renascer)
Sábado, 1 de Setembro – Trauliteiros, música, missa vespertina (20.30h) e arraial nocturno (O trovão)
Domingo, 2 de Setembro – Missa às 15h, seguida de procissão. Arraial nocturno (Iran Costa)
Segunda, 3 de Setembro – música, trauliteiros a percorrer o lugar. 18h – missa e procissão da entrega do ramo. Arraial nocturno (Fina Estampa)
Terça, 4 de Setembro – 16h, tarde de jogos tradicionais e arraial nocturno (Quim Barreiros)
Quarta, 5 de Setembro – 16h, jogo solteiros-casados. Arraial nocturno (MEGA)
Quinta, 6 de Setembro – Arraial nocturno (TV5)
Amigos do jornal
Mamodeiro
Alberto Sequeira 5€, Alice Melo 5€, Célia Calafate 7€, Conceição Gaspar 10€, José Ferreira de Almeida 10€, Norberto Pereira de Sousa 5 €.
Póvoa do Valado
Armando Santos Ricarte 5€, Dina Macedo 10€, Manuel Simões Neto 10€, Sebastião Neto Birrento 10€
Nariz
Amândio Vieira Marques 10€, Mário Silva Santos 10€
Verba
Albino Arsénio S. Neto 10€
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A unir como fazem as pontes!
Todas as construções perduram no tempo quando são bem alicerçadas!
Esta realidade é, humanamente, tanto mais assertiva quanto a mensagem bíblica (Lc 6, 48ss e 14, 28ss) fundamenta toda a vida daqueles que, como o Pe Artur, fazem da solidez de carácter e da persistência inquebrantável um dom ao serviço dos outros.
Sei que por isso, há um traço característico naquele que será para sempre o alicerce (assente sobre a rocha, resistente, rude, sólida), da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima: as obras!
Um sacerdote a quem o Senhor chamou para exercer o seu ministério durante quarenta anos na Póvoa do Valado e Mamodeiro só podia ser – que falem mais alto as memórias de D. Domingos da Apresentação Fernandes e de D. Manuel de Almeida Trindade, o livro “Os de Mamodeiro e o bispo de Aveiro”! - um homem de carácter, que consagrasse toda a sua vida a unir, a construir a unidade.
Mas foi preciso construir tudo: a paridade entre os lavradores abastados e preponderantes e os assalariados vindos quase todos do interior norte do país; criar índices de reconhecimento dentro de cada lugar – o centro do lugar da Póvoa do Valado, por exemplo, ainda hoje é denominado por “Barreiras”, porque ninguém se atrevia a passar sozinho de um lado para o outro, ali era uma barreira intransponível; gerar a comunhão entre as pessoas, independentemente do seu estado económico! Era necessário quem lançasse mãos destemidas à obra: o Pe Artur criou e ensaiou, por celeiros e sótãos, grupos de teatro; incentivou a criação de clubes; apoiou Ranchos Folclóricos; organizou cortejos de oferendas, em que o essencial era as pessoas prepararem (encontrarem-se!) em conjunto uma peça de teatro, uma canção popular, a dramatização de um quadro da vida no campo, para animar os vários desfiles. As noites de Inverno eram animadas por semanas de Pregação – os pregadores mais lembrados são o Frei Avelino e o Pe Andrade!
Fomentou os cursos de agricultura; os cursos para donas de casa; os cursos de órgão; os cursos de catequistas; os cursos bíblicos – quando um adolescente fazia a profissão de fé oferecia, a cada um, uma Bíblia; autocarros de peregrinação a Fátima; viagens de encerramento da catequese (catequistas e famílias)…as semanas de liturgia, mais tarde em Fátima.
Era necessário aproximar os que estavam longe?! Criou o jornal “Notícias de Nariz e Fátima” – para servir as duas comunidades que paroquiava. Nariz desde 1961!
O jornal seria a boa notícia que chegava a todos os lares, também aos emigrantes a quem gostava de visitar para os manter corresponsáveis com as suas raízes. Assumia como imperativo as visitas mensais aos doentes (colocava à porta da Igreja quem, porventura, estava hospitalizado), o sacramento da confissão, a festa da Santa Unção, o Dia da Comunidade Paroquial, Nossa Senhora: todos os dias era fiel à “leitura” – como dizia - das horas e à oração do terço!
E os jovens foram uma preocupação permanente. Desde a primeira hora abraçou os Convívios Fraternos quando o Pe Valente de Matos, seu conterrâneo e fundador do Movimento, o implantou em Portugal e em Aveiro. Mas também nos grupos paroquiais, nos campos de Férias, antecâmara de anos pastorais bem sucedidos!
Mas todas estas obras de evangelização requerem – expressão sua – um espaço para se desenvolverem com dignidade! A dignidade nas celebrações eucarísticas, nas procissões, nos funerais, no apoio social, nos cuidados de saúde,… Porque “na tua vida sê sempre retrato de Deus, nunca sua caricatura”! O Pe Artur anunciava e vivia este lema em tudo o que promovia!
E conquistado o reconhecimento, o afecto das pessoas surgiu a Paróquia, a Igreja (a Igreja!), a residência, o salão, o centro social paroquial, a Freguesia (foi determinante o seu empenho), o posto médico! Renovou todas as capelas. Tudo!
E tudo foi feito com uma diplomacia sagaz! O Pe Artur era mestre na diplomacia, mesmo quando era necessário subverter o adágio: semeava ventos, gerava tempestades porque acreditava na força da bonança que viria depois!
Quando a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima celebrou festivamente as bodas de prata sacerdotais do Pe Artur, em Julho de 1980, foram editadas as tradicionais pagelas evocativas da solenidade. Chamou-me a atenção o lema sacerdotal do Pe Artur “unir como fazem as pontes”!
Passados outros vinte e cinco, confirmava-se então a obra que Deus quis que ele edificasse: unir! Unir todas as pessoas, todos os lugares, unir o que era disperso. Porém, as comunidades de Nariz e Fátima reconheciam, em agradecimento festivo, que o Senhor exigiu também ao Pe Artur desde o início que poderia unir como fazem as pontes mas em primeiro lugar tinha de as construir! Todos sabemos o resto: nem olhou para trás (Lc 9, 62)!
In “Correio do Vouga”, 29 de Agosto de 2007
Jubileu da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima
1960-2010

Renovando o compromisso assumido de fazer memória dos acontecimentos que marcaram as nossas comunidades no último meio século e dos quais temos como principal fundo documental o arquivo do “Notícias de Nariz e Fátima”, revisitamos o caminho percorrido por muitos dos nossos leitores e avivamos em todos o itinerário pastoral para as bodas de ouro da paróquia de Nossa Senhora de Fátima.
Porém, não omitimos a vida da comunidade de Nariz e, fazendo uso de todas as fontes que possamos ter acesso, era notícia no Verão de 1947:
- Fazia eco do encerramento do Concílio Vaticano II, dos textos conciliares que iam chegando de Roma. Na sequência do Concílio Ecuménico, o Papa Paulo VI tinha visitado Constantinopla. Ficou célebre o abraço ao Patriarca Atenágoras.
- O jornal, criado em Março, começava a chegar aos emigrantes e estes respondiam com particularmente desvelo e carinho;
- Na Póvoa do Valado tinha sido entregue, às crianças da Escola Primária, o prémio Beatriz Canha;
- Invocavam-se dados históricos, em “grandes dramas judiciários”, que envolveram o assassinato do Pe João da Anunciação Portugal, de Mamodeiro, em meados de oitocentos.
- A estrada que liga Vessada a Verba começava a ser alcatroada;
- Nariz, não só o lugar mas toda a Paróquia, organizava uma recolha de donativos para aquisição da coroa para a imagem de Nossa Senhora de Fátima, que viria a ser benzida em Outubro seguinte.
Desporto








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PADRE ARTUR TAVARES DE ALMEIDA
Após uma prolongada doença, no dia 16 de Agosto faleceu o rev. Padre Artur Tavares de Almeida, pároco de Oiã; nas últimas semanas esteve internado no Lar Social de Oiã e, por fim, no Hospital do Infante D. Pedro (Aveiro).
Tendo nascido em Avanca (Estarreja) no dia 13 de Abril de 1929, após o curso dos Seminários recebeu a Ordenação Sacerdotal em 3 de Julho de 1955 das mãos de D. João Evangelista de Lima Vidal. Pouco tempo decorrido, foi nomeado vigário paroquial de Requeixo e capelão de Mamodeiro, de Póvoa do Valado e de Perajorge.
Dedicando-se com admirável zelo pastoral a estas povoações, logo percebeu que, dada a distância com a igreja matriz de S. Paio de Requeixo, sede da paróquia, elas seriam servidas em melhores condições, se constituíssem uma comunidade cristã autónoma, apesar das consequências que daí poderiam advir para Requeixo. Tudo ponderado, efectivamente o Bispo de Aveiro, D. Domingos da Apresentação Fernandes, em 13 de Agosto de 1960 instituiu a paróquia de Nossa Senhora de Fátima, no concelho e arciprestado de Aveiro. O Padre Artur, que passou a ser o primeiro responsável, não iria parar no seu trabalho. Lançou-se imediatamente na construção da residência paroquial, da igreja matriz e de um edifício para a catequese e para outras actividades formativas e sociais; e, sempre com o desejo de criar pontes, mesmo com os ausentes, iniciou a publicação do boletim mensal “Notícias de Nariz e Fátima”.
Por diversas vezes deslocou-se ao estrangeiro, nomeadamente ao Canadá, aos Estados Unidos e à Venezuela, onde sabia viverem muitos emigrantes das referidas terras; foi uma presença que fortaleceu os laços tradicionais naquelas pessoas que, também pela sua generosidade, contribuíram para as obras em curso.
Criado assim um ambiente de comunhão, tornou-se facilitada a criação da freguesia administrativa de Nossa Senhora de Fátima, por lei da Assembleia da República de 11 de Julho de 1985 – facto que foi popularmente festejado conjuntamente com as “bodas de prata” da paróquia.
O Padre Artur, que também exerceu o cargo de arcipreste de Oliveira do Bairro, em 5 de Agosto de 1995 foi nomeado pároco de Oiã, por provisão de D. António Baltasar Marcelino. Durante os seus últimos doze anos, com dedicação nunca vencida por quaisquer dificuldades, prosseguiu até ao fim no mesmo espírito conciliador, lutando sempre pelo bem do povo e das diferentes povoações da freguesia.
Às 10.00 horas do dia 18, foi celebrada a Missa Exequial na igreja de S. Simão de Oiã, sob a presidência de D. António Francisco dos Santos e com a participação de D. António Baltasar Marcelino, de D. António dos Santos, de várias dezenas de sacerdotes e de alguns diáconos. O templo foi pequeno para acolher as representações das Irmandades e das centenas de pessoas (entre as quais os Presidentes da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro e da Junta de Freguesia de Oiã), que assim quiseram sentidamente homenagear e sufragar a alma do saudoso extinto. Os restos mortais, com uma breve paragem na igreja de Nossa Senhora de Fátima, foram levados para Avanca, onde tiveram sepultura no cemitério local, após a celebração da Eucaristia na igreja matriz de Santa Marinha, às 14.30 horas, por D. António Baltasar Marcelino. Em 22 seguinte, o nosso Bispo celebrou a Missa do sétimo dia, na igreja de Nossa Senhora de Fátima.
Mons. João Gaspar, Vigário Geral da Diocese de Aveiro

Nª Sª de Fátima – zona industrial de Aveiro?
O princípio do fim!
Com a aprovação na generalidade do Plano de Urbanização da Cidade de Aveiro (PUCA) são criadas, a poente da Póvoa Valado, mais duas zonas industriais. Está em marcha o processo que levará quintais (na Povoa de Cima serão todos desde o nó da A17 com a EN 235, até ao Agueiro!), terras, vinhas e pinhais a serem transformados em armazéns e, porventura, fábricas de produção e poluição com matérias que ainda é cedo para saber.
É esta a herança que deixaremos para os vindouros na Freguesia de Nª Sª de Fátima: zonas industriais, autoestradas, vias de acesso e nós, caminhos de ferro (ainda falta o traçado do TGV!) aprovados por uns quantos senhores que, tudo leva a crer, por erros de gestão, compram as nossas terras e casas ao desbarato para servir quem? Alguém, no seu perfeito juízo, quer ver a destruição do património natural?
Mais no sentido Norte-Nordeste, segundo notícias recentes que apresentam informações proferidas pelo Presidente da Câmara de Aveiro, o Carrajão poderá vir a receber uma unidade de tratamento mecânico biológico de resíduos – lixo. O vento norte trará até Mamodeiro o cheiro nauseabundo como o de Taboeira. Os camiões carregados de lixo hão-de vir dos concelhos abrangidos pela ERSUC e atravessar Mamodeiro!
Os estudos rigorosos de pormenor sobre estas questões vão, seguramente, empatar-se uns aos outros. Portanto, todos terão o mesmo valor na decisão final: uns disse que sim outros dizem que não. O que se sabe é que, depois de começar, é impossível voltar para trás.
E, numa hipótese bastante ridícula, se tudo é tão inofensivo e amigo do ambiente – como se quer fazer crer – porque é que estes equipamentos não são colocados no centro de qualquer cidade. Pelo menos evitar-se-iam os gastos com as deslocações para a periferia!
Na história das civilizações ocidentais não há nenhum, rigorosamente nenhum, equipamento de serviço público que, não fosse o mau ambiente que provoca a todos os níveis: qualidade de ar, estético, mobilidade urbana, plano habitacional, tráfego, etc, podendo estar no centro é deslocado para a periferia! Depois, ainda mais para a periferia,… isto é, para terras e pessoas que menos incómodo possam provocar!
É urgente acordar para a realidade! Há outras soluções!
Não pode ser a promessa de meia-dúzia de empregos à nossa porta a levar à aceitação da destruição de tudo o que nos rodeia, da nossa memória, a secar os nossos poços, destruição de lençóis freáticos, a matar os nossos campos!
Nª Sª de Fátima precisa de qualidade de vida e tem direito a isso, como todos os cidadãos têm: vias de acesso em boas condições, áreas de lazer, construção sustentável, lençóis de água límpida, pinhal e floresta!
Quando o planeta anseia por alguma reposição da sua mancha verde para equilibrar a poluição, é lamentável ver decisões à nossa porta que condicionarão irremediavelmente o nosso futuro!
Nª Sª de Fátima não pode ficar parada, tem de ser re-inventar como terra e pessoas de carácter, de brio, de verticalidade, e manifestar os seus interesses: o bem comum!
M. Oliveira de Sousa

quinta-feira, agosto 16, 2007

Faleceu o Pe Artur

No dia 16 de Agosto de 2007, após um período de sofrimento que foi fragilizando as resistências do primeiro pároco de Nª Sª de Fátima e fundador do "Notícias de Nariz e Fátima", faleceu com 78 anos de idade aquele que foi o "construtor" da Paróquia e protagonista da criação da Freguesia com o mesmo nome.
O Pe Artur nasceu em Avanca (Estarreja) em 13 de Abril de 1929. Foi ordenado sacerdote em 3 de Julho de 1955. Depois de quarenta anos repartidos, no início do seu ministério, com as capelanias de Mamodeiro e Póvoa do Valado (então Paróquia de Requeixo) e depois de 13 de Agosto de 1960 como Pároco de Nª Sª de Fátima, continuou o sua acção pastoral, a partir de Setembro de 1995, como Pároco de Oiã (Oliveira do Bairro).

O seu funeral, presidido pelo Bispo de Aveiro D. António Francisco, realizou-se em Oiã, às 10.00h, de Sábado, 17 de Agosto. Concelebraram, para além de um número elevado de sacerdotes e diáconos da diocese, o Bispo Emérito da Guarda (D. António dos Santos) e D. António Marcelino (Bispo Emérito de Aveiro).

No final, o cortejo fúnebre dirigiu-se para Avanca onde, às 14.30h, D. António Marcelino presidiu à missa de exéquias e o seu corpo foi a sepultar.
Momento particularmente comovente foi a paragem na Igreja de Nª Sª de Fátima, para o último adeus ao seu Prior. O Pároco, Pe Manuel Augusto, presidiu a uma oração de louvor pela vida e obra do Pe Artur finda a qual o cortejo retomou o seu trajecto.
A missa de 7º dia, celebrada no dia 22 de Agosto, às 20.30h, na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, foi presidida pelo Bispo de Aveiro, "num gesto simbólico de justa memória e homenagem ao Pe Artur e a todos os que com ele edificaram Nª Sª de Fátima, de maneira muito particular o Pe Albino de Pinho, o primeiro sacerdote da diocese a falecer este ano".

domingo, abril 29, 2007

jnnf, ano XXXVI, nº 375 (Abril 2007)

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OBRIGADO MÃE!
Editorial

Cultura da vida
O mês de Maio, em plena Primavera, é considerado, com maior intensidade entre nós portugueses, como o mês da vida, em todos os sinais de vida. Deriva esta simbologia, com grande probabilidade, da mitologia grega, da deusa Maya a quem era consagrado o dia 15 de Maio; e da equivalente deusa romana Bona Dea (Boa Deusa, a deusa da fertilidade e da terra, que representa a virgindade e a fertilidade nas mulheres. Era filha do deus Faunus, daí ser também conhecida por Fauna).
Escrevia há dias D. António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro, a propósito do recente falecimento de John Billings, o pai do método natural da regulação da fertilidade, conhecido como “método da ovulação pela observação do muco cervical”, “a máquina maquiavélica e poderosa das multinacionais, produtoras de produtos orientados para impedir a fertilidade, e a luta desenfreada de interesses entre as mesmas, tem levado a que muitos dos directamente inseridos no processo, como informadores e decisores, se instalem apenas naquilo que as mesmas empresas comunicam e propõem, de mistura com benesses que não se podem perder. Assim é mais fácil e mais rentável.
Os métodos naturais foram, por isso, progressivamente depreciados e calados, mesmo por aqueles que, por dever de ofício e por honestidade profissional, os deviam conhecer bem para os poderem propor, de modo esclarecido, à decisão livre de quem procura, legitimamente, informação e orientação para regular e planear os filhos que deseja. Não se trata apenas, dado que se sonega informação a que se tem direito, de uma situação injusta, frente aos utentes de um serviço público. Trata-se, também, de ver, de modo superficial e pouco honesto, um problema grave que requer uma informação correcta e uma educação acompanhada” (CV, 2007.04.19).
Este mês (da mãe - a de cada um e a de todos nós -, do coração, da vida, do trabalhador, das famílias,…) é uma oportunidade de redescobrir o valor (aquilo que vale!?) das pequenas coisas: os elementos da natureza; a matriz da nossa existência; a paz das nossas relações; a educação para o desenvolvimento comprometido das civilizações.
A começar, já!
M. Oliveira de Sousa

Notícias de Nariz e Fátima, 40 anos
Mensagem do Presidente da Câmara Municipal de Aveiro
É com regozijo que saúdo o jornal “Notícias de Nariz e Fátima” na passagem dos 40 anos da sua fundação, reconhecendo o papel informativo que ao longo das quatro décadas prestou aos aveirenses, em especial à população das duas Freguesias do Município de Aveiro cujo nome ostenta no título.
Neste aniversário felicitamos com estima o Padre Artur Tavares de Almeida, impulsionador e primeiro Director do Jornal, aproveitando a oportunidade para lembrar a importante obra social que desenvolveu em favor da comunidade de Nariz e de N.ª Sr.ª de Fátima.
Apraz-nos realçar nesta data que o “Notícias de Nariz e Fátima” aderiu à vanguarda comunicacional com a edição on-line, alargando pela difusão digital o lote de leitores e incentivando por essa via o público à utilização das novas tecnologias da informação e da comunicação.

Desejo ainda que a efeméride que enaltece a longevidade do jornal seja motivo de orgulho para os seus actuais administradores, colaboradores e leitores, motivando-os para o decurso da contínua qualificação deste vetusto veículo de informação local.
Dr. Élio Manuel Delgado da Maia,Presidente da Câmara Municipal de Aveiro

Fátima Jovem 2007, Santuário de Fátima, 5 e 6 de Maio
Renuncia a ti mesmo, tome a tua cruz

(para ver programa clique na AQUI)

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Movimento Paroquial

Fátima

Casamento
No dia 21 de Abril, casaram na Igreja de Nossa Senhora de Fátima Pedro Valente (residente em Mamodeiro) e Liliana Nunes (residente na Póvoa do Valado).
Notícias de Nariz e Fátima (certo que o pai da Liliana, há muito no seio de Deus, se junta a todos nós) felicita os noivos pedindo a Deus as maiores bênçãos para a família que agora constituem e para os seus pais, Manuela e Manuel Valente, e Adília; para os seus avós.
A caminhar faz-se caminho – Campo de Férias de 1995!
O Pedro e a Liliana são conhecidos de todas as nossas comunidades; o Pedro é, inclusive, membro da direcção do nosso jornal, como sabemos. Mas, pela Graça que é o discernimento feito, a dedicação de um e de outro, atrevo-me a algumas confidências de carinho e reconhecimento.
Estão quase vencidos dez anos deste momento em que o Pedro e a Liliana começaram a contrariar o meu princípio absoluto (muitos jovens sabem esta minha opinião!) em que, tentando suavizar o drama da separação que o final dos campos, onde revelamos qualidades e riqueza de carácter que só naquele contexto sabemos que existem no coração dos jovens, das pessoas, não há namoros iniciados nos campos de férias que tenham consequências para a vida. Eles começaram ali, no Santuário de Shoenstatt, em 1995; são a excepção que confirma a regra.
O Pedro e todo um grupo de jovens estavam, por 1992-93, perdidos na sua caminhada de vida cristã (adiados na sua preparação para o Crisma, em que outros tinham desistido). Foi o Senhor que, a determinado momento, quis que daqueles cinco jovens resistentes surgisse fermento para tanta renovação paroquial na década de noventa (como jovens, no dia da comunidade, na equipa de liturgia, nos acólitos, no dia da Santa Unção, Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil, Fátima Jovem, encontros com o Santo Padre, Jornadas Mundiais,…). Foi ali que encontrei o Pedro, com a verticalidade que o caracteriza, e ele manteve-se! E do nada (aquele grupo que parecia perdido), o Espírito Santo, num Sábado à noite, consagrou tanto!
O campo de férias foi só uma etapa, mas uma etapa decisiva!
Também a Liliana, a sua presença naquele Campo, foi um momento de inspiração do Alto – penso que ela só o ficará a saber neste momento! Campo de férias!? Porque não as filhas da Adília?! E lá estava a Liliana na Gafanha!
Depois daquele campo, um e outro fizeram um caminho semelhante na doação, nas responsabilidades, … Deus assim quis!
Vê-los profissionalmente empenhados, familiarmente realizados e socialmente responsáveis pelo futuro de todos é o objectivo de toda a pastoral juvenil, de toda a acção da Igreja com os jovens. Graças a Deus!
Temos obrigação de consciência de não deixar que este fermento azede (perca as propriedades que tem)! Porque há caminhos assim: ímpares na vida!

Baptismo

No passado dia 22 de Abril, foi baptizada Ana Maria Pires de Pinho, filha de Fernando Soares de Pinho e Cristiana Maria Conceição Pires Pinho. Foram padrinhos Sérgio Carlos da Conceição Pires e Célia Margarida Soares de Pinho.

Profissão de Fé

O passado dia 22 de Abril foi dia de festa para os adolescentes do 6 º ano que celebraram a Festa da Fé. Acompanhados pelas suas dedicadas catequistas (Otilia, Ana Isabel, Fátima e Nancy) perante toda a comunidade renovaram os compromissos que um dia, pelo seu baptismo, seus pais e padrinhos haviam firmado.
Obrigada amiguinhos pelo vosso testemunho de fé! Mantenham-se firmes na vossa caminhada para Deus porque a nossa comunidade precisa muito de vós todos!

Visita Pascal - Anúncio da Ressurreição

Vários grupos percorreram as ruas de Nossa Senhora de Fátima. A cruz, símbolo do Ressuscitado, e um grupo – testemunhas (apóstolos) da ressurreição fazem o primeiro anúncio, a grande notícia, o “querigma”: Cristo ressuscitou, está vivo!
Domingo, 8 de Abril – Póvoa do Valado

Domingo, 15 de Abril – Mamodeiro e Perajorge


NARIZ

BAPTISMO:
- No dia 8 de Abril (Dia de Páscoa), recebeu o sacramento do Baptismo, na Igreja Paroquial, a menina Iara Vendeiro Jesus, filha de Jorge Manuel Lopes de Jesus e de Anabela Figueiredo vendeiro, residentes na Rua do Rossio, n.º 10, em Nariz. Foi sua madrinha Ana Sofia Rodrigues Clara.

Aos pais e padrinhos deseja muitas felicidades e muitos anos de vida cristã.

VISITA PASCAL 2007
(Paróquia de S. Pedro de Nariz)

SÍNTESE/RECEITA:
Nariz: 2.854,10 EUR;Verba: 1.004,00 EUR;Vessada: 617,50 EUR;
TOTAL: 4.475,60 EUR
Nariz, 14 de Abril de 2007
O Tesoureiro da Fábrica da Igreja,António Augusto Martins Filipe

Amigos do Jornal

Mamodeiro
Manuel Martins Pinheiro, 5,00
Póvoa do Valado
António Augusto Ferreira Santos,10,00;Adelino Vieira Carvalho Coutinho,10,00; Arménio (Arrota); 5,00; Albano Alves, 5,00;Aida Marques, 5,00; Manuel Marinho, 1,00; Diamantino Antunes Correia, 5,00
Verba
Marcelo Alves Vieira, 6,00; Manuel Arsénio Simões Neto,6,00; Carlos Rocha, 1.25; Aurélia Costa Lopes e Família, 7,00; Manuel Batista,6,00; Carlos Alberto Costa Português, 6,00; Ernesto Imitério, 5,00; Fernando Dias da Cruz, 5,00; Manuel Lopes Estêvão, 5,00; Faustino da Costa, 5,00; Pedro Vieira, 6,00; Manuel Nunes Perdigão, 5,00; Maria Irene Perdigão, 6,00; José Oliveira Dunas,2,00; Rodrigo Dunas,5,00; Jorge Estêvão,6,00; José Marques de Oliveira,6,00; Júlio Manuel Vieira Costa Jacinto, 6,00; Paulo Cerejo Barro,12,00; Armando Pinheiro Matias,4,00; Humberto Lopes Jacinto,6,00; José António Costa Dias, 6,00; Afonso Costa Feiteiro,6,00; Sebastião Cerejo Barros ,10,00; Alice Costa Barros,7,50; Jesus Gualter Bem Ferreira,5,00; Recardina 5,00; Manuel Pedra Estêvão,5,00; Belmiro Martins da Costa, 5,00; Arminda Cerejo, 6,00; Célia Martins Costa, 6,00; Alberto Oliveira Ferreira, 5,00; Ramiro Samagaio da Costa, 6,00; António Trindade Atanázio,6,00; Júlio Pedrogam ,5,00; Anónimo,0,25; Jutta Barthel,20,00
Nariz
Anacleto Peralta, 10,00; Maria Violete Martins, 5,00; Miguel Malta Simões,5,00; Fernando Barros da Cruz,10,00; Hélio Fabiano,5,00; Mª Helena Barreto Ferreira, 10,00; Belarmino Ferreira Oliveira,5,00; Maria Santos Martins, 5,00
Porto d’Ílhavo
António Mostardinha, 5,00
Ramalheiro
Leonel Lopes, 10,00; Manuel Fontinha, 5,00
Maria Lúcia F. Gonçalves (Costa Valado), 10,00

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VIII-TORNEIO INTERNACIONAL DO BARROCA

Terminado que está o VIII Torneio Internacional do A.R.C. Barroca, podemos dizer que este decorreu com grande brilhantismo, tendo a amizade e o desportivismo sido os grandes vencedores.

Ao longo de três dias, o Parque Desportivo da Barroca e a Freguesia de Nossa Senhora de Fátima foram invadidos por uma onda colorida de Juventude e alegria, deixando toda a organização e quem os visitou vivamente satisfeitos.
Na componente desportiva do torneio, existiram dois vencedores: o Barroca e o Oliveira do Bairro.

O Barroca, no escalão de Escolas, venceu o Nariz, num derby regional, após um jogo muito disputado, sendo necessário recorrer à marcação de grandes penalidades para se encontrar um vencedor, uma vez que no final do tempo regulamentar o resultado foi de 1-1. No final das grandes penalidades, a vitória sorriu ao Barroca por 4-3.
No escalão de Infantis, saiu vencedor o Oliveira do Bairro que bateu, na final, a equipa da casa por 5-1.
O sucesso desta actividade veio encorajar a Direcção do Barroca a continuar a apostar com dinamismo e empenho na formação dos seus Jovens Atletas.
O Torneio deste ano teve também uma grande inovação: a Direcção do Barroca propôs a alguns ex-jogadores do Clube, a realização de um Jogo de Velhas Guardas.

O desafio foi bem aceite e logo surgiu uma equipa que viria a defrontar uma outra já tarimbada nestes jogos - o “ Futebol Aveiro e Praia “. A empresa “ Antero Santos & Santos” ofereceu as camisolas para a realização deste jogo, que se concretizou na sexta-feira, ao final do dia, com a presença de muitos simpatizantes destes antigos jogadores do Clube.Foi uma partida muito disputada, terminando com a vitória do “ Futebol Aveiro e Praia “ por 2-1. No final, e porque o cansaço era muito, houve lugar para a distribuição de Medalhas e todos confraternizaram num apetecível lanche proporcionado pela Direcção. Todos se regozijaram com esta iniciativa e ficou a promessa de novos encontros das Velhas Guardas.Este torneio ficou, também, marcado pela surpresa. O Barroca foi presenteado com a oferta de uma carrinha de 9 lugares, indispensável para o transporte dos seus Atletas para os Treinos e Jogos. Uma empresa particular ofereceu e preparou a surpresa que, no primeiro dia do Torneio, veio alegrar o departamento de Futebol do Clube. Este Departamento estava a organizar um peditório para a aquisição futura de uma carrinha. Assim, tudo foi mais simples e todos ficaram satisfeitos.
No final do torneio realizou-se, no salão polivalente da Freguesia, o tradicional almoço de confraternização entre todas as comitivas, seguindo-se a entrega de prémios, cerimónia presidida pelo Presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Dr. Élio Maia, que registou com apreço a dinâmica desta Associação.

A seguir discriminamos todos resultados do Torneio.

INFANTIS


Barroca

5 - 1

Maravilhas


Pontassolense

0 - 9

Oliveira do Bairro

3º e 4º lugar

Pontassolense

1 - 2

Maravilhas

Final

Barroca

1 - 5

Oliveira do Bairro

Classificação

J

V

E

D

F

C

P

2

2

0

0

14

1

6

2

1

0

1

06

6

3

2

1

0

1

03

6

3

2

0

0

2

01

11

0

1º Oliveira do Bairro; 2º Barroca; 3º Maravilhas; 4º Pontassolense

Troféus Nome Clube
Melhor Jogador Armando Cruz O Bairro
Melhor Marcador Armando Cruz O Bairro
Guarda - Redes Menos Batido Gonçalo Santos O Bairro

Equipa Fair-Play Pontassolense

ESCOLAS


Barroca

6 - 1

Oiã



Bonsucesso

1 - 2

Nariz


3º e 4º lugar

Bonsucesso

1 - 5

Oiã


Final

Barroca

1 - 1

Nariz

G P 4-3

Classificação

J

V

E

D

F

C

P

2

1

1

0

06

2

4

2

1

1

0

03

2

4

2

1

0

1

06

7

3

2

0

0

2

02

07

0

1º Barroca;2º Nariz;3º Oiã;4º Bonsucesso

Troféus Nome Clube

Melhor Jogador Diogo Cabral Barroca
Melhor Marcador Roberto Souto Barroca
Guarda-R Menos Batido Tiago Matos Barroca

Equipa Fair-Play Nariz

Paróquia de Nariz – Contas 2006
(para ver na integra consulte a versão papel)

TOTAL ANUAL DE RECEITAS

63.329,82 €

TOTAL ANUAL DE DESPESAS

120.718,47 €

TRANSPORTE DO ANO ANTERIOR

53.008,34 €

TOTAL ABSOLUTO

- 4.380,31 €

SALDO ANUAL

57.388,65 €

RESUMO

DEPÓSITOS À ORDEM

3.820,55 €

CONTA CORRENTE CAUCINADA-DISPONIVEL

12.900,00 €

CONTA CORRENTE CAUCINADA-DEP. ORDEM

6.940,18 €

CONTA CORRENTE CAUCINADA-SALDO EM DIVIDA

- 30.000,00 €

NUMERÁRIO

1.958,96 €

SALDO TOTAL

- 4.380,31 €


Página 4

Residência Paroquial de Nª Sª de Fátima
25 de Abril de 1971-2007

Como apareceu o terreno para esta residência?

Não foi fácil! Mas também poderia ter sido muito mais difícil! Eis como se passaram as coisas: reuni a Fábrica da Igreja e pus-lhe o problema deste modo: - meus amigos, como sabem, não temos terreno para a casa paroquial. Ontem, porém, lembrei-me daquele bocado de terra do senhor Ernesto Heleno.
A leira é pequena, mas dá lá uma boa residência. Vamos amanhã ver se ele no-lo dá! Estão de acordo? Todos disseram que sim. Marcou-se até a hora e o dia para o encontro.
À hora marcada fiquei desolado. É que só apareceu um para me dizer que tinham estado a pensar e haviam chegado á conclusão de que não valia a pena sequer tentar. Não consegui, apesar de todo o meu esforço, demovê-los da posição tomada. Eu ainda lhes disse: vamos lá. Se ele nos atender ganhamos. Se nos disser que não, nada perdemos.
Não valeu a pena. Não consegui convencer ninguém.
Então disse-lhes: ai vocês não querem ir, vou eu sozinho. Se ele me atender ganhei tudo, se não me atender, não perdi nada.
Rente á noite aí vai o padre Artur só. Entra na loja e o senhor Ernesto sai-se com esta: o senhor Prior vem pedir alguma coisa? – Por acaso venho!, respondi-lhe. Então o que é que o senhor deseja? Olhe, uma coisa que nos faz muita falta! Então o que é? É aquela terrinha pequena que o senhor tem à beira da igreja. Dava lá uma rica residência e ao senhor Ernesto não lhe faz falta nenhuma e teríamos resolvido o maior problema da nossa freguesia neste momento. Dê lá esse jeito e a família Ernesto Heleno ficará para sempre como uma das maiores benfeitoras desta nova freguesia. Senhor Prior, pelo que me toca não me oponho. Até fico muito contente. Vá lá dentro e diga á minha mulher e filha a minha posição sobre tão delicado assunto.
Lá fomos até à cozinha e, à volta de uma boa fogueira, ouvimos estas palavras que nunca mais esqueceremos: Senhor Padre Artur, se o nosso Ernesto deu nós também damos.
Nisto, fechada a loja, aparece o senhor Ernesto que, nada sabendo do que se passava, lança para a esposa e filha esta pergunta: então já fizeram a vontade ao senhor prior? Já sim senhor, responderam. Estamos até muito contentes com a tua decisão. Que é também a nossa. E o senhor Ernesto proclama com naturalidade: senhor Padre, a terra é sua. Minha não, mas da freguesia de Nª Sª de Fátima! Respondi.
E o senhor Ernesto levanta a voz e diz: isto não está bem, pois falta aqui o nosso Manuel! E ainda não tinha acabado de falar e entra o Manuel que, surpreendido, pergunta: Que se passa aqui? Olha, o senhor Prior veio pedir-nos aquela terra lá da beira da igreja para nela ser construída a residência paroquial. E vocês, que resolveram? Demo-la mas queremos saber a tua opinião. A minha decisão é a vossa. Dou também e com muita alegria e Nª Sª de Fátima jamais esquecerá esta nossa oferta.
Quando a Fábrica da Igreja soube do sucedido ficou muito grata ao Prior e aproveitou o acontecimento para criar laços de maior união entre todos.
Pe Artur Tavares de Almeida

Lausperene na Paróquia de Nariz
TESTEMUNHO NA PRIMEIRA PESSOA

Na vida, cada um de nós pretende encontrar-se, seja de que forma for, com Deus que está presente em todo o ser humano.
Em Quinta-feira Santa, vários rostos da nossa Paróquia iniciaram os seus passos para, junto do Santíssimo sacramento, com seriedade, venerar e a adorar Jesus Sacramentado. Foi com enorme esforço, mas também com Fé, que as pessoas encontraram, nesse encontro íntimo e afectivo, o amor e a paz de Deus e que só Ele tem. Foi uma noite longa, com diversas orações, repleta de cânticos e gente cheia de vontade. Uma noite de reflexão, em que, cada um, no seu íntimo, se encontrou com Ele.
Para Deus, a vida não acaba, apenas se transforma. E foi pensando nesta transformação, que cada um de nós se voltou para Ele, cantando e louvando, de coração aberto, as maravilhas de Deus-Pai e de seu Filho, a fim de receber forças para a “caminhada da vida.”
As horas passavam e, assim como havia gente que saía para encontrar algum descanso (físico), outras entravam para dar continuação. Fazia-se sentir o frio cá fora, quando alguém saía por alguns instantes, regressando tremendo. Mas rapidamente passava, pois era terno o ambiente “morno” naquele cantinho da Igreja. Os olhos começavam a pesar… Eram já as 6:00h da manhã. Entre diversas orações, cantaram-se cânticos, para assim animar e tornar a vontade cada vez mais forte de chegar ao fim, sentindo a alegria e o sentimento de conforto e gratidão, pela coragem e todo o bem recebido apenas numa noite. Se numa noite podemos dar e receber tanta coragem e compreensão, conseguiremos nós imaginar o que poderá ser feito uma vida inteira, dia após dia?
Às 7:00h da manhã, com a claridade a penetrar, entre as badaladas do sino e os pássaros que cantarolavam, que a noite chegou ao fim. Apesar do cansaço que se fez sentir, foi apreciável a vontade das pessoas, que até a essa hora permaneceram juntas e, sobretudo, junto de Deus, dando-Lhe graças pelo perdão, porque Ele é feliz connosco, dando graças pelo Seu sincero amor.
Fica daqui uma palavra de apreço a todos aqueles que, por vontade própria, se predispuseram a senti-Lo e adorá-Lo, na noite da sua Paixão Redentora.

Ninoska Barros