sábado, dezembro 08, 2007

jnnf, ano XXXVI, nº 381 (Dezembro 2007)

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Editorial

Sete!?
O “Notícias de Nariz e Fátima”, neste número de Natal, atinge a plenitude de um ciclo da sua existência: são sete anos sob coordenação da actual equipa de direcção! Começámos em Dezembro de 2000, depois de um interregno de edições durante esse ano jubilar.
Todos sabemos quanto simboliza esta referência! Porque sete são as artes,
as notas da escala diatónica (na música), as cores do arco-íris; o número de dias da semana, as maravilhas do mundo antigo! Mas também em termos biblio-teológicos, sete sãos os pecados capitais (vaidade, avareza, ira, preguiça, luxúria, inveja, gula), as virtudes cardinais (castidade, generosidade, temperança, diligência, paciência, caridade, humildade), os sacramentos (baptismo, confirmação, eucaristia, penitência, santa unção, ordem, matrimónio), as Igrejas da antiguidade (Tiatira, Éfeso, Esmirna, Laodicéia, Filadélfia, Pérgamo, Sardes), as dores de Nossa Senhora (a perda do menino Jesus no Templo, a fuga para o Egipto, o encontro com Jesus na rua da amargura, a crucificação , a morte de Jesus Cristo, o Filho morto nos braços, a sepultura), os livros sapiênciais (Job, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico), as Chagas de Cristo, as horas de agonia, os anos gastos na construção do Templo de Salomão, os casais de cada espécie de animal postos na Arca de Noé!
A Bíblia apresenta este número como um número "perfeito" e podemos constatar pela própria natureza como o número sete está presente em tudo. A razão do número sete é insondável e prender-se-á com a determinação de Deus para a humanidade!?
Em síntese, no Natal de 2007 (o sete também aqui!) encerramos um ciclo em que tanto mudou nas nossas vidas e na vida de cada um dos leitores, em todos os que, nas comunidades de Nariz e Fátima, caminharam connosco!
Sentimos que, neste Natal, o Senhor nos fala ainda mais de forma simbólica: é preciso mudar para que se dê expressão a uma nova esperança!
M. Oliveira de Sousa

A"redenção", a salvação, segundo a fé cristã, não é um simples dado de facto. A redenção é-nos oferecida no sentido que nos foi dada a esperança, uma esperança fidedigna, graças à qual podemos enfrentar o nosso tempo: o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho. (Spe Salvi, Bento XVI)

Notícias de Nariz e Fátima” deseja a todos os distribuidores, leitores, patrocinadores, famílias e amigos das comunidades de Nariz e Fátima um Natal de esperança!


Tão antes do tempo que…
1. Não esquecemos uma história, já lá vão uns cinco anos, numa grande superfície comercial da região. Lembramo-nos que era o dia 7 de Novembro e os locais de comércio estavam a ser engalanados para a chamada quadra comercial natalícia. Nesta história real, havia um avô, uma mãe e uma criança. Três gerações diferentes diante do mesmo acontecimento. O choro da criança era a todo o custo o pedido exigente à mãe para lhe comprar aquele brinquedo. Ela, talvez para conseguir acomodar a situação, parecia na disposição de fazer a sua vontade… Entretanto, intervém o avô, guardião da tradição, com um chavão que gravámos na memória: “não, o Natal é só em Dezembro!”
2. O “século” que vivemos vai elegendo o comercial acima de tudo, já nem se conseguindo um domingo à tarde (em certas quadras) que seja para estar em família, conversar, passear ou descansar. A concorrência aberta, bom sinal no sentido pluralista, não havendo “bela sem senão”, faz do chegar primeiro o lema de todas as casas. E com o passar dos anos vem-se ampliando toda a antecipação de tudo, em que quando se chegam aos dias festivos já pouco faz sentido. Saturação. O “mágico” das quadras especiais, como o Natal, vai-se diluindo pelo tempo fora… Que bom seria que esses mesmos valores correspondentes (ao menos da tradição) também fossem passando, mas parece que quanto a esses o Pai Natal Comercial abafa, este tornou-se dono e senhor.
3. O homem do saco vermelho já há muito que anda por aí, e até vai tendo direito a entradas triunfais como se ele merecesse toda a adoração. Em vez de “amor e paz” a sua palavra mágica é “prendas”e mais “prendas”, num ter que se gasta e vai arrefecendo o tão essencial calor humano da ternura dos gestos sensibilizantes. É um facto. E se os grandes têm a distância crítica de quem sabe a origem e o sentido do Natal (e em que os gestos calorosos são o seu prolongamento festivo), já aos pequenos, predominantemente, pelo que vemos, pouco lhes interessa alguma mensagem. E mais, de tanta sobrecarga de prendas e coisas tanto antes do tempo, quando chegar o dia nada tem sentido, nada tem valor.
4. Este ano a meados de Setembro começou a “vender-se” Natal. Para o ano, será em Agosto? Pela quantidade das coisas vamos perdendo o calor dos gestos... Verdade? Exagero? Os vindouros serão o que “lhes damos” hoje. Seja o AMOR o presente mais dado. Não estraga, é gratuito, tem todo o futuro e representa mesmo o verdadeiro Natal! Até nesta mensagem da “memória” os avós são tão necessários.
Padre Alexandre Cruz

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MOVIMENTO PAROQUIAL

NARIZ

Falecimentos
- No dia 12 de Outubro, em Lamas do Vouga, faleceu a Sr.ª Maria Augusta, de 90 anos de idade, viúva de António Joaquim da Rocha Vieira, e residente na Rua da Barreira Branca, em Nariz. Natural de Sosa (Vagos), era filha de João Maria da Rocha Martins e de Margarida de Jesus.
O seu funeral realizou-se no dia seguinte, na Igreja de Nariz, tendo sido depois sepultada no cemitério paroquial da Freguesia de Nariz.

- No dia 6 de Novembro, faleceu em Coimbra, Célio da Silva Ferreira, de 31 anos de idade, casado com Sandra Marisa Ferreira Guimarães, e pai de duas crianças (o Rui e a Mirian). Residia em Chão do Forno, na Costa do Valado (Oliveirinha).

Natural de Nariz, era filho de Ernesto Emitério Ferreira da Costa Estêvão e de Ascensão da Silva Moreira, de Verba.
A partida de um ente querido é sempre dolorosa e saudosa, mais ainda quando é na flor da idade. Foi o que aconteceu como o nosso Célio, um jovem sorridente que a doença mortífera levou do nosso convívio. Que lá do Céu interceda agora pelos seus mais queridos e por nós! Descansa em Paz, Amigo!
O seu funeral realizou-se, no dia seguinte, na Igreja de Nariz, tendo sido depois sepultado no cemitério paroquial da Freguesia de Nariz.

Dedicado ao Célio
A certeza dos tempos…

É a mistura da incerteza
Com a certeza dos tempos,
Que leva à necessidade
Do aproveitar dos momentos…

As coisas vividas
E as que nos chegam inesperadas,
São forças que se contemplam…
Esperadas ou não,
Levam-nos à recordação!

A saudade é, muitas vezes,
Acompanhada pela dor…
Mas, não é mais
Do que a forte presença do seu amor!

Um amor perfeito que vai,
Mas que fica…
Um amor e uma SAUDADE
Que se sente… não explica!

É a química dos sentimentos
Que define o ser humano…
Tudo o que nele existe e a forma como vive…
As metas que atingiu,
O fim que alcançou e o principio a alcançar…
São etapas do ciclo rotativo
Daqueles que acreditam e, a Deus sabem amar!

Descansa em paz
Com eterna saudade da tua esposa e filhos.

- No dia 15 de Novembro, faleceu a Sr.ª Maria do Carmo da Costa Estêvão, de 70 anos de
idade, viúva de Manuel Ruivo, e residente na Rua Professor Belarmino Nunes, em Nariz. O seu funeral realizou-se no dia seguinte, na Igreja de Nariz, tendo sido depois sepultada no cemitério paroquial da Freguesia de Nariz.


Às famílias enlutadas, Notícias de Nariz e Fátima apresenta sentidas condolências.


Trabalhou vários anos na Pastoral Juvenil Arciprestal e Diocesana
DIÁCONO JHONNY DAVID LOUREIRO FREIRE


(Diácono Jhonny, primeiro da esquerda)

No passado dia 22 de Setembro, na Basílica Catedral de Ariano Irpino, em Itália, foi ordenado diácono o jovem palhacense Jhonny Freire, filho de Adélio Loureiro Capão e de Celina da Ascensão Freire Fernandes, moradores no Albergue (Palhaça).
O Diácono Jhonny foi, durante vários anos, animador e responsável pelo Grupo de Jovens da Palhaça, bem como da Equipa Arciprestal de Oliveira do Bairro. Várias vezes trabalhou connosco, ora em Nariz, ora em Aveiro, ora mesmo na pastoral juvenil nacional. Há três anos em Itália, onde concluiu os estudos teológicos, encontra-se integrado na congregação Silenciosos Operários da Cruz.
Tivemos a felicidade de o encontrar dias depois da sua ordenação, em Fátima, no dia da sagração da Igreja da Santíssima Trindade (12 de Outubro). Foi com grande alegria e amizade que dele soubemos estar feliz pelo passo dado, bem como nos revelou novas suas de Itália e projectos futuros.
No próximo ano, em Agosto, teremos padre, se Deus quiser!
Notícias de Nariz e Fátima associa-se à alegria do Jhonny e seus familiares, endereçando-lhe redobrados votos de parabéns!

Fátima

FESTA DO ADVENTO

Ao iniciarmos o tempo litúrgico do Advento, caminhada de reflexão e esperança rumo ao Natal, as crianças, jovens e adolescente da Catequese de Nª Srª de Fátima, proporcionaram à comunidade cristã o convívio e a alegria do encontro festivo, mostrando o seu trabalho e empenho com verdadeiras mensagens de amor e perdão, complementadas com lindas canções e muita animação.
No final um agradável lanche foi partilhado por todos.

Agradecemos à comunidade a sua presença em especial da família, que é sempre muito importante, e desejamos que Jesus Menino fique convosco nesta caminhada de Advento.
Equipa coordenadora da Catequese

Amigos do jornal

Mamodeiro
Manuel Lopes Neto (Venezuela)
50€, Emília Lameiro 5 €
Póvoa do Valado
José de Barros
10€, Manuel Ferreira Coutinho 10€, Manuel da Costa Campina 8€, Maria das Dores Oliveira 10€
Verba
Emanuel Simões
6€, Rosália Simões 6€
Nariz
Carlos Franco
15€, Valdemar Magalhães 20€, Mabilde Ruivo 5€.

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Vamos viver o espírito!

Vamos agarrar nossos corações,
Demonstrar o quão grandes sabemos ser…
Viver o espírito natalício
Não deixando a vontade desvanecer!

Vontade de sorrir e vontade de crescer…
Amar ou não amar…
Ver ou não querer ver…
Sentir ou não querer sentir…
É nossa a escolha de querer ou não persuadir!

Viver contigo cada instante
E recordar no teu amor cada momento,
Queremos alegres celebrar a tua vinda…
Queremos de ti receber todo o alento!

Receber-te é uma bênção,
É o iluminar dos nossos caminhos
E um alegrar dos nossos tempos…
Receber-te e adorar-te, é o que pretendemos
És senhor, o melhor que esperamos!

O carinho em cada lar,
A ternura da tua presença,
O conforto e a alegria que se faz notar…
Símbolos estes do amor
Que tu, Senhor, sabes ofertar!

Ninoska Barros!

ATLETAS DO BARROCA PRESTAM PROVAS NO BENFICA

Foi no dia 2 de Dezembro de 2007 que mais dois atletas do Barroca prestaram provas num dos clubes grandes de Portugal, desta vez foi no Benfica. As provas foram efectuadas em Cucujães local onde o Benfica tem um protocolo de colaboração.
Os atletas avaliados foram:
RAFAEL RODRIGUES – 10 anos, filho de Ricardo Rodrigues e de Maria Matos, natural e residentes em Aveiro.
O Rafael já prestou provas no Sporting duas vezes, e esta é também a segunda vez que vai ao Benfica. A sua classe como jogador, não deixou dúvidas aos técnicos Benfiquistas que o convidaram para integrar a equipa de Infantis que o Benfica vai ter na Zona Norte do País no próximo Ano.

CARLOS ALBERTO MARQUES FERREIRA- com 10 anos, filho de Carlos Manuel Simões Ferreira e de Maria Teresa Marques Marinho, natural e residente na Póvoa do Valado.
O Carlitos, como é conhecido o mais jovem talento a despertar no Barroca, ficou encantado com esta possibilidade e foi com enorme alegria que pela primeira vez foi prestar provas a este nível. Alegria que aumentou quando lhe deram para treinar a camisola do clube do coração - o seu Benfica. Os técnicos do Benfica ficaram com boas indicações do Carlitos e prometeram que doravante o passariam a acompanhar no seu clube o Barroca e também através de novas chamadas a estas provas de selecção.
No final, ambos regressaram satisfeitos, um por ter a oportunidade de em breve de vestir a camisola do Benfica e outro por saber que no futuro irá continuar a ser acompanhado.
No corrente ano os dois atletas vão continuar na equipa de Escolas do Barroca, a qual está muito bem classificada no Campeonato Distrital de Aveiro.
O Barroca fica muito satisfeito por continuar a formar bons atletas. Foram já inúmeros os seu s atletas que foram prestar provas às Academias do Sporting e do Benfica e certamente que, estas passagens, constituem um grande incentivo para prosseguir com o trabalho de formação no futebol Infantil.

Contas do jornal 2007

A Direcção do “Notícias de Nariz e Fátima” torna públicas as contas do exercício de 2007, conforme abaixo se apresenta.
Como acontece todos os anos, tem havido sempre saldo positivo para o ano seguinte. Damos graças a Deus pelo carinho de todos para com o jornal, o registo da nossa memória e interpelação ao nosso compromisso e responsabilidade.

RECEITAS
Saldo 2006 496,12 €
Donativos 2.580,35 €
Publicidade
Digidente 187,50 €
Carroçarias Sol 225,00 €
Talho Chefe Pedro 237,50 €
Transportes Ideal 300,00 €
TOTAL 4.026,47 €

DESPESAS
Composição Gráfica + Impressão 2 800,60€
Correios 213,39 €
Despesas Bancárias 39,00 €
Outros 61,98 €
TOTAL 3 114,97
SALDO 911,50 €

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GENTE DA NOSSA GENTE

Manuel Barreto Ferreira

IDADE: 61 anos
CASADO com Rosa Martins
PROFISSÃO: Funcionário Público
Perto de completar um ano como sacristão da Igreja Paroquial, o nosso entrevistado deste mês dá-se um pouco a conhecer. Homem de vários ofícios, é um genuíno amante da sua terra-mãe e das suas gentes.
JNNF
Prestes a cumprir um ano de serviço à Igreja como sacristão, que balanço lhe ocorre fazer?
Manuel Barreto Ferreira (MBF) – Estou a gostar muito e a procurar fazer o melhor possível para que tudo corra bem neste serviço pastoral. Faz efectivamente no próximo dia 1 de Janeiro de 2008 um ano que entrei oficialmente ao serviço.
Tenho de confessar que, no início, foi um pouco difícil, sobretudo na conjugação de horários, que tiveram de ser alterados na minha agenda e no meu relógio, particularmente aos domingos. Consegui que na escola onde trabalho me pudessem facilitar os horários em caso de necessidade de serviço na Igreja (funerais, sobretudo). Hoje tudo está a funcionar bem e eu já entrei nesta dinâmica há muito.
JNNFSentiu o acolhimento e reconhecimento da Paróquia?
MBF – Houve pessoas que me felicitaram pelo facto de ter aceite. O Padre José Augusto desde a primeira hora que me tem dado o seu apoio, ele que foi quem me endereçou o convite para sacristão da Igreja Paroquial.
JNNF
Foi fácil dizer “sim”?
MBF – Tenho de confessar que não foi fácil dizer “sim”, mas assumi. Felizmente consegui organizar o meu trabalho de forma a conseguir esta disponibilidade que é muito responsável e dedicada da minha parte.
JNNFMudemos agora de palco e falemos de cultura. O Sr. Manuel é hoje um dos elementos mais antigos do Rancho de Verba. Como começou este desafio?
MBF – Estou no Rancho Folclórico de Nossa Senhora da Nazaré há 15, aproximadamente. Na altura, o sr. Mário Martins da Costa, de Verba, lançou-me o convite para integrar o Rancho, porque não havia quem tocasse bombo. Eu disse “sim” e lá estou com muito gosto e dedicação também.
JNNFNestes anos certamente muitos episódios e histórias aconteceram. Quer contar uma dessas que lhe tenha ficado registada?
MBF – São muitas! Mas vou contar esta. Há uns anos atrás tínhamos acordado com um rancho ele actuar connosco. Acontece que ele falhou e… nós tivemos de actuar “a dobrar”, ou seja, duas horas em cima do palco!
JNNFComo tem sido a participação da juventude neste grupo?
MBF – Andar com juventude é bom! É isso que me faz estar lá. Actualmente, o Rancho carece de elementos masculinos (daqui lanço um convite/apelo a todos que sentem curiosidade e o “bichinho” da dança: apareçam às sextas-feiras e/ou sábados, à noite, em Verba, no Centro Cultural, para os ensaios, que vão começar).
JNNFPara finalizar esta nossa conversa, perguntamos-lhe: como vê a participação das pessoas da Paróquia nas actividades pastorais e cívicas?
MBF – Tenho de confessar que já vi muito mais participação das pessoas do que vejo agora. As pessoas queixam-se que não têm tempo, disponibilidade, estilo de vida para darem um pouco de si em favor da Freguesia/Paróquia. Já vi a Igreja mais cheia de gente e mais participativa. Parece-me que isto é um sinal dos tempos modernos… Em tudo hoje é um pouco assim… A ver vamos o que nos traz o futuro de melhor.

Mensagens de Natal

Que se possa acreditar que o mundo se torne melhor e façamos por ele uma prece de fé.
Que os nossos lares sejam abençoados com muita paz, saúde, amor e prosperidade.

Feliz Natal e Próspero Ano Novo
São os votos da Junta de Freguesia de Nariz.


Que o Natal seja mais um momento em que as pessoas acreditem que vale a pena viver um ano novo.

O executivo da Junta de Freguesia de Nossa Senhora de Fátima deseja a todos um Feliz Natal e um próspero Ano Novo


Esperança e salvação
Bento XVI apresenta segunda encíclica, marcadamente teológica, para um mundo em crise

Spe Salvi (“Salvos pela esperança”) é o título da segunda encíclica de Bento XVI, dedicada ao tema da esperança cristã, num mundo dominado pela descrença e a desconfiança perante as questões relacionadas com o transcendente.
"O homem tem necessidade de Deus, de contrário fica privado de esperança", pode ler-se. O Deus em que os cristãos acreditam apresenta-se como verdadeira esperança para o mundo contemporâneo porque lhe abre uma perspectiva de salvação.
Bento XVI considera que só é possível viver e aceitar o presente se houver "uma esperança fidedigna" e destaca a importância da eternidade, não no mundo actual - "a eliminação da morte ou o seu adiamento quase ilimitado deixaria a terra e a humanidade numa condição impossível", aponta - mas como "um instante repleto de satisfação, onde a totalidade nos abraça e nós abraçamos a totalidade".
"Deus é o fundamento da esperança, não um deus qualquer, mas aquele Deus que possui um rosto humano e que nos amou até ao fim: cada indivíduo e a humanidade no seu conjunto", observa.
A carta do Papa defende que só Deus é a "verdadeira esperança" e aborda por diversas vezes a questão da "vida eterna", frisando que "ninguém se salva sozinho".
O documento começa por apresentar um enquadramento teológico da esperança cristã, a partir dos textos bíblicos e dos testemunhos das primeiras comunidades eclesiais. O Papa apresenta ainda os ensinamentos de vários Santos da Igreja a respeito do tema da encíclica e escreve que "conhecer Deus" significa "receber esperança".
Depois de negar que Jesus tenha trazido uma mensagem "sócio-revolucionária", Bento XVI aborda a questão da evolução para afirmar que "a vida não é um simples produto das leis e da casualidade da matéria, mas em tudo e, contemporaneamente, acima de tudo há uma vontade pessoal, há um Espírito que em Jesus se revelou como amor".
O Papa cita, entre outros, Platão, Lutero, Kant, Bacon, Dostoievski, Engels e Marx para falar de esperança e de esperanças, de razão e liberdade, da construção de um mundo sem Deus que pretende responder aos anseios do ser humano. "Nenhuma estruturação positiva do mundo é possível nos lugares onde as almas se brutalizam", declara.
In ECCLESIA

domingo, novembro 18, 2007

jnnf, ano XXXVI, nº 380 (Novembro 2007)

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Editorial

A Igreja em Portugal
Números da Igreja Desde última visita Ad limina (cfr página 4) , dados estatísticos da Igreja Católica em Portugal mostram um cenário de transformação cada vez maior.
A viagem que os Bispos de Portugal estão a realizar ao Vaticano será a primeira do novo milénio. Dos 49 Bispos em Portugal (21 residenciais, 8 auxiliares e 20 eméritos), marcarão presença no Vaticano 37, sendo de notar a ausência do Bispo de Vila Real, por complicações no seu estado de saúde.
Desde 1999, data da última visita Ad limina, muita coisa mudou na vida das várias Diocese do país, na Igreja e no mundo.

Desde logo, o Papa que vai receber os Bispos do nosso país é Bento XVI, que será informado da realidade das 21 Dioceses portuguesas. Os relatórios entregues pelos prelados deverão abranger um período ligeiramente superior aos 5 anos requeridos pelo Vaticano, procurando mostrar o rosto da Igreja nestes novos tempos.
A frieza dos números ajuda, desde logo, a perceber este clima de mudança: o “guia” da Igreja Católica de Portugal confirma, na sua edição de 2007, a quebra progressiva do número de Baptismos e de ordenações sacerdotais, entre outros.
De 2000 a Dezembro de 2005, o número de sacerdotes diocesanos baixou de 3159 para 2934 (menos 225), enquanto que o clero religioso manteve praticamente o mesmo número. A situação de 2005 mostra que por cada dois padres que morrem (nesse ano foram 80), apenas um é ordenado (41 novos sacerdotes). A isto se somam, em média, 5 defecções por ano.
Apesar desta quebra no número de padres, a esmagadora maioria das mais de 4 mil paróquias continuam confiadas à administração sacerdotal (99,54%) e apenas 20 paróquias são administradas pastoralmente por diáconos, religiosas e leigos, número aliás que tem vindo a decrescer de forma consistente.
Os seminaristas de filosofia e teologia também são menos, segundo os últimos dados disponíveis: de 547, entre diocesanos e religiosos, em 2000 passou-se para 475 em 2005.
O número de Baptismo mostra uma redução significativa, mas esse dado deve ser lido à luz da variação do número de nascimentos em cada ano. Em 2000 foram baptizadas mais de 92 mil crianças com menos de 7 anos, e em 2005 esse número ficou-se pelos 79 236. Comparativamente a 2001 (100 256) a quebra é de mais de 20%.
Os Baptismos depois dos 7 anos representam, actualmente, cerca de 6% do total e chegou, em 2005, aos 5301 (5938 em 2000).
Em Portugal, a percentagem de católicos é agora de 89,9% - 9,35 milhões de católicos para uma população de 10,4 milhões de pessoas. O Recenseamento da Prática Dominical, datado de 2001, mostrava que o número total de praticantes não chegava, contudo, aos 2 milhões de fiéis.
O nosso país tinha no final de 2005, segundo os dados da CEP, 50 Bispos, 2934 padres diocesanos, 1050 padres de Institutos Religiosos, 174 diáconos permanentes, 321 religiosos professos e 5890 religiosas professas.
Um dado curioso diz respeito aos Bispos titulares das Dioceses: desde o ano 2000, foram 12 as Dioceses (mais de metade) que passaram a contar com um novo Bispo (a que se somam outros quatro Bispos Auxiliares actualmente em Braga, Évora e Lisboa). Apenas três Dioceses têm um Bispo há mais de 10 anos, sendo que o "decano" nesta matéria é D. Maurílio de Gouveia, à frente da Arquidiocese de Évora desde 1981.
No quadro temporal em análise ganham ainda relevo a assinatura da Concordata entre Portugal e a Santa Sé, no ano de 2004. O documento consagrava o princípio da "cooperação", mas tem gerado algumas dificuldades por causa dos atrasos na regulamentação de pontos delicados.
Entre as várias alterações promovidas pela Concordata de 2004, destacam-se as que se referem às matérias fiscais e ao reconhecimento da personalidade jurídica da Conferência Episcopal Portuguesa. Outras mudanças foram também introduzidas na nomeação dos Bispos, no estatuto da Universidade Católica Portuguesa e na assistência religiosa que a Igreja Católica presta nas Forças Armadas, nas prisões e nos hospitais.
Também deste período data a Lei da Liberdade Religiosa e a criação da Comissão da Liberdade Religiosa, onde a Conferência Episcopal Portuguesa se faz representar por dois elementos. O quadro legal criado não impede, contudo, o crescimento de uma onda secularizante e laicista na sociedade, que tende a remeter a presença da religião para a esfera privada.
Um capítulo que não deverá faltar nesta visita, apesar de não directamente relacionado com a Igreja, é o do último referendo ao aborto, onde se assistiu a uma mobilização de leigos que só encontra paralelo nos tempos da Acção Católica. A liberalização do aborto levou a CEP a falar numa "mutação cultural", expressão que, em larga medida, resumirá perante o Papa o essencial da vida da Igreja e da sociedade do nosso país, nestes últimos anos.
(in Ecclesia)

A formação cristã nas nossas comunidades – Catequese
Nariz

A catequese de Nariz começou as suas actividades deste ano 2007/2008 no dia 07 de Outubro.
Este ano, do 1º. ao 10º. ano temos 102 crianças na catequese e 22 catequistas.
No 11º. Ano – ano de preparação para o Crisma – temos 8 jovens e 2 animadores.
Peçamos ao Senhor que toda esta gente chegue ao fim do ano apostólico consciente da sua e da nossa responsabilidade.
A catequese é um serviço da comunidade à comunidade, tendo como ponto central e fundamental Jesus Cristo.
Que no final do ano todos possamos dizer “Dei o meu melhor mas valeu a pena” e ainda “Não fiz mais que o meu dever”.
M.S.

Nossa Senhora de Fátima

O início da catequese, com a abertura solene das actividades no passado mês de Outubro, marca o reencontro de todos com novas responsabilidades, com novos grupos, com novas iniciativas.
Na missa, para além da apresentação do primeiro ano, o ofertório foi representativo da diversidade de participação. Ali, na mesa da eucaristia, os vários símbolos, devidamente explicados à comunidade, representaram também o compromisso dos catequistas, que também foram apresentados, com este ministério do anúncio, o mesmo anúncio que Cristo transmitiu aos apóstolos, que os apóstolos fizeram nas comunidades e que as comunidades foram actualizando pelo Magistério da Igreja.

III Exposição/ Venda de trabalhos – Nª Sª Fátima
Dia 11/11/07
Local:
Salão polivalente de N. Sra. de Fátima
Horário:
12h 00m-Abertura solene
14h30m-Desfile de moda - FátimaFashion,
Venda de Trabalhos

Grupo das terças

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Movimento Paroquial
Falecimento
No dia 15 de Outubro, faleceu em Mamodeiro, com 78 anos, Iria Valente da Costa. Sua filha Rosa Valente da Costa, neta e demais família, agradecem a todos os que acompanharam a sua ente querida à última morada.


Grupo de Coral de Nossa Senhora de Fátima realizou encontro de convívio anual

Amigos do Jornal
Nariz

Manuel Campina Vieira 5, Maria Vieira Zagalo 10.
Verba
Carlos Simões 5, Joaquim Benabento 2, Júlio Moreno 10, Victor Ferreira Simões 5.
Mamodeiro
Adérito Ferreira 10, David Marques10, Joaquim da Silva Neto 10.
Póvoa do Valado
Anabela Costa 5, Cruz & Cruz 10, Diamantino Antunes Correia 5, Goreti Simões 5, Isabel Nolasco 10, Joaquim Simões Rodrigues10, José Santos Brás 5, Lúcia Pinho 2, Luís Claro 5, Manuel Camelo 5, Manuel Carvalho Maia 5, Manuel Coutinho10, Manuel Polónio 10, Manuel Simões Carvalho 5, Manuel Simões Pinheiro 5, Maria Augusta Pinto 5, Maria Balbina 1, Maria da Costa Rio 5, Maria Mota 5, Natália Lopes 5, Paulo Costa 5, Pompílio Oliveira Nunes 10.

Contas relativas ao sino, relógio e festa em Honra de Nossa Senhora da Anunciação

Total da festa – 11.600,15€
Total do sino – 8.619,50€
Informamos que entregámos 2.040,00€ á empresa PERES MARQUES, valor exigido pela mesma para a encomenda do sino. Devido a fuga do gerente da empresa, fomos lesados nesse valor. Desta forma, retiramos ao valor da festa 810,50€ para cobrir o desfalque. O valor do sino actual foi de 7.390€.
Obras da Capela – 2.385€
Forno do largo de festas – 150€
Total da Receita – 17.479,55€
Ambão para a capela de Nossa Senhora da Anunciação – 387€
Total de despesa – 15.332,65€
Lucro – 2.166,90€
Agradecimentos
A comissão agradece à IMPORTINTAS que ofereceu uma grande parte das tintas para a Capela.
Agradecemos ainda a todas as pessoas que ajudaram com o seu esforço, com o trabalho e pela disponibilidade que dispensaram.
Muito obrigada a todos!
A comissão de festas em Honra de Nossa Senhora da Anunciação

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Susana Maia (Mamodeiro) parte para o Kosovo

A Susana P. Vieira Maiaé militar (Cabo Adjunto)! No dia 21 de Setembro partiu no 2º Batalhao de Infantaria 2º B.I./Kfor, por um período de seis meses, em missão de Paz no Kosovo. O contingente está no Aquartelamento SLIM-LINES em Pristina (Kosovo).
Filha de Carlos Sá Maia e Rosa V.Braz, frequentou os grupos paroquiais, onde fez a sua iniciação cristã, é distribuidora do “Notícias de Nariz e Fátima”.
Uma missão como esta estamos habituados a ouvir falar nela pela televisão. Porém, agora é uma pessoa que conhecemos, a sua família e amigos são nossos vizinhos e, como eles, desejamos que o tempo fora do país e os riscos que sempre contém faz-nos próximos, solidários, desejando que regresse bem e com a alegria do dever cumprido.

Grupo das Terças - III Exposição/ Venda de trabalhos.

No próximo dia 11 de Novembro irá decorrer a III Exposição e Venda de trabalhos realizados por um pequeno grupo da nossa paróquia nas suas reuniões de terça-feira e nos seus tempos livres em casa.
Face ao sucesso alcançado nos anos anteriores o grupo ganhou novo alento para continuar o seu trabalho.
Ao longo destes meses, muitas foram as palavras de encorajamento recebidas. Conterrâneos emigrados visitaram - nos nas suas férias e mostraram –se agradavelmente surpreendidos com esta iniciativa.
O grupo alargou – se com elementos das paróquias limítrofes o que contribuiu para o enriquecimento de todos pela partilha de saberes e de experiências.
O objectivo do grupo não é o lucro. Disponibiliza tempo e materiais.
A venda é apenas o culminar de um trabalho, que não pretendemos para nós, mas para a paróquia.
Sem a sua participação, tal não é possível.
Contamos consigo.
Aproveite o Magusto de S. Martinho e faça algumas compras.
Vai ver que vale a pena.

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Contornos históricos da visita Ad limina
Tradição remonta aos primeiros séculos do Cristianismo e é obrigatória para os quase 5 mil Bispos de todo o mundo

A expressão Ad limina foi utilizada frequentemente pelos cronistas medievais ao referirem o exercício piedoso dos fiéis de empreenderem viagem até Roma, em espírito de peregrinação, para visitar os túmulos dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo.
A tradição da presença e morte martirial dos dois Apóstolos na capital do Império romano foram factores que muito contribuíram para o apreço sempre crescente que de todo o mundo cristão se votou desde cedo à comunidade de Roma.
Essa ligação piedosa rapidamente se mostrou indissociável dos bispos que presidiam à comunidade romana, tidos como sucessores de S. Pedro e do testemunho singular do apóstolo S. Paulo, ambos ali sepultados e venerados.
Essa consciência viva teve reflexos positivos no cristianismo esparso por todo o Império. Santo Inácio de Antioquia, por escritos que legou a algumas comunidades cristãs, enfatiza a caridade da comunidade romana e reconhece-a como legítima herdeira do singular alicerce que foram os Apóstolos S. Pedro e S. Paulo. Um pouco mais tarde, S. Cipriano, exprimindo o sentir do cristianismo do norte de África, reconhece preeminência à sede romana, equiparando-a à cátedra de Pedro.
Decorrente dessas tradições, o bispo de Roma (papa), paulatinamente, vê-se na contingência de alargar a sua área de intervenção: da comunidade local estende-a rapidamente a toda a zona itálica e, de forma mais abrangente, incluindo mesmo as áreas patriarcais (do Oriente), é aceite como referencial importante na ordem da caridade e da comunhão (1º milénio).
Esse múnus alargado deveu-se, sem dúvida, à acção exemplar dalguns bispos de Roma e a circunstâncias históricas recorrentes que cedo puseram à prova a capacidade interventiva dum papado emergente; a firmeza doutrinal e a defesa intransigente das populações ameaçadas pela nomadização de povos bárbaros singularizaram sucessivamente uma plêiade de bispos que ocuparam a Sede de Roma. Essas dinâmicas muito contribuíram para que à Sede romana se lhe agregassem outros títulos: Sede Apostólica (S. Dâmaso), Primeira Sede, etc., equiparando o seu bispo, o papa, a S. Pedro (S. Leão Magno). A forma feliz como terminou o concílio de Calcedónia (451) muito contribuiu para a aceitação futura da autoridade universal do bispo de Roma.
A par dessa ascendência, praticava-se com certa intensidade o culto por todos os que tinham testemunhado a fé até ao martírio. De muitos se fazia memória, mas, em Roma, muito em particular, por aqueles que tinham sido os iniciadores do cristianismo local: S. Pedro e S. Paulo.
O pendor sacralizante que se afirmou após a liberdade constantiniana teve particular incidência no ordenamento do tempo, na delimitação dos espaços e em tudo aquilo que tinha a ver com a vida desses lugares - pessoas e objectos. Como reflexo dessa nova mentalidade, adquirem estatuto de lugares sagrados algumas localidades da Palestina, mormente a cidade de Jerusalém. Roma, em virtude da presença dos túmulos dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, adquire de igual modo o estatuto natural de cidade santa.
Essas referências sacrais tiveram impacto nas comunidades cristãs; foram muitos os que desde então se deram ao exercício piedoso da peregrinação. Os que se deslocavam a Roma quiseram, sobretudo, visitar (visitare) os" sepulcros" (limina), os "santuários" dos dois Apóstolos (apostolorum).
A partir do século VIII, a par daquela prática dos fiéis cristãos, os laços pastorais e jurídicos tendem a acentuar-se cada vez mais entre os bispos e o papa. São muitos os bispos que de Itália se deslocam a Roma para participar nos sínodos romanos; de igual modo, mesmo do cristianismo mais distante, se dirigem à Urbe os arcebispos para receberem o Pálio; a uns e a outros, em virtude da sua deslocação a Roma, se aplicou a expressão - visita Ad limina.
Segundo milénio

No fim do primeiro milénio, foi prática habitual dum grupo razoável de bispos se dirigirem a Roma para visitar os túmulos dos apóstolos e conferenciar com o papa sobre assuntos de natureza pastoral e administrativa. Um pouco mais tarde, os papas da reforma gregoriana (séc. XI-XII) estimularam essas visitas, insistindo de quando em vez num juramento de fidelidade ao pontífice. Insistia-se na periodicidade, sem especificar o espaçamento dessa deslocação.
Após o concílio de Trento (1545-1563), em ordem à implementação das determinações conciliares, sobressai um papado reformador. A abrangência das áreas a reformar pedia esforço conjunto - do centro (Papa) e da periferia (bispos). Nesse sentido, houve a preocupação de reorganizar os serviços centrais da Igreja (Cúria) e estruturar outros mecanismos que permitissem uma proximidade maior entre o episcopado e o bispo de Roma - o papa.
Sisto V(1585-1590), percepcionando as urgências recorrentes, pela bula Romanus pontifex (1585), faz da visita Ad limina um acto obrigatório para todo o episcopado católico. A periodicidade dessa deslocação a Roma não se deu de forma igual para todos os bispos. Teve-se muito em conta a situação geográfica dos vários episcopados. Inicialmente, para os de Itália e outros territórios vizinhos pedia-se a sua presença em cada três anos. Para os da Europa central, espaçava-se o tempo para quatro anos. Para os dos territórios missionários (outros continentes) a periodicidade ia até aos 10 anos.
Essa visita formal devia ser acompanhada dum relatório, previamente preparado, sobre a vida da diocese - Relatio status diocesis, atendo-se a formulários comuns que cobriam praticamente todas as áreas da vida diocesana.
As determinações sistinas têm-se mantido, grosso modo, até aos nossos dias. O Código de Direito Canónico (1983), nos cânones 399 e 400, dá orientações claras para o cumprimento daquela obrigação. Mantem-se a obrigatoriedade do relatório e a deslocação do bispo a Roma ou, em caso de impedimento, a presença de quem o melhor possa substituir (bispo coadjutor, se o tiver, ou auxiliar, ou ainda por um sacerdote do seu presbitério).
Na óptica de Sisto V, esses relatórios e encontros fraternos seriam instrumentos e ocasiões privilegiadas para se encontrarem as melhores linhas de actuação para uma Igreja sempre reformanda (sempre em dinâmica de ajustada reforma). Por trás da norma jurídica, havia, de facto, a preocupação de associar todos os bispos às grandes vertentes reformadoras.
As determinações sistinas foram pensadas para um colectivo de bispos que não ultrapassava muito as seis centenas de bispos do universo católico da altura. Muitos desses, viram-se ainda incapacitados de empreender uma tal viagem. Hoje, o encontro pessoal com o papa continua a fazer-se para os actuais cerca de 5000 bispos. Por razões óbvias, a disponibilidade de tempo nem sempre permite um encontro demorado. De todos os modos, a prática encerra uma densidade de afecto e comunhão com o Pastor que, a partir da cadeira de S. Pedro, preside na caridade ao múnus apostólico de conduzir o povo de Deus.
A visita Ad limina, desde a sua instituição até aos nossos dias, na sua execução, tem sido observada de forma flexível. Sem recuarmos muito no tempo, registe-se que durante os dois conflitos mundiais as visitas tornaram-se praticamente irrealizáveis para uma parte significativa do episcopado mundial.

Pe. David Sampaio Barbosa, Professor de História da Igreja - UCP – Lisboa
(in Ecclesia)

segunda-feira, outubro 22, 2007

jnnf, ano XXXVI, nº 379 (Outubro 2007)

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Editorial
As comunidades retomam o seu compromisso pastoral marcadas pela Semana da Educação Cristã
«O suave peso de educar»
Uma reflexão sobre a relação entre a educação e as comunicações sociais
1. Os meios de comunicação social, na crescente vastidão das suas modalidades e das sofisticadas tecnologias que lhes estão associadas, constituem uma singular revelação do génio inventivo da humanidade. Em particular, os meios mais modernos são "autênticas maravilhas saídas do género humano" (1).
Os acontecimentos, as ideias e as imagens que constantemente transmitem, as descobertas científicas e técnicas que divulgam e as culturas que difundem dotam as pessoas de novos meios de percepção do mundo, contribuem para estreitar os laços de união da humanidade, despertam atitudes de solidariedade e estimulam o progresso material e espiritual.
Podemos reconhecer que, dadas as características de expansão quase universal e de profunda influência dos meios de comunicação social, não existe lugar onde não seja sentido o seu impacto no comportamento religioso e moral, nos sistemas políticos e sociais e na educação (2).
Tal influência reveste-se também, frequentemente, de aspectos negativos, que afectam o desenvolvimento pessoal, social e espiritual das pessoas, particularmente das mais jovens, e comprometem o progresso autêntico da humanidade. São fruto do domínio de lóbis económicos e ideológicos, que dissimulam a verdade e condicionam a liberdade. Traduzem-se na divulgação de modelos culturais que fomentam o individualismo e o relativismo moral, na criação de necessidades artificiais, na promoção de programas e de redes de contactos que ferem a dignidade humana, no uso e abuso das pessoas para fins predominantemente utilitaristas e economicistas. Disso se ressente, também, a visão desvirtuada e tendenciosa da religião e da Igreja, que frequentemente divulgam.

2. A
Igreja tem o maior apreço pela comunicação social e por quantos a ela se dedicam. Na complexidade das estruturas e dos códigos de linguagem dos meios de comunicação, na beleza e na harmonia com que unem a palavra e a imagem, nas imensas capacidades de aproximar pessoas e povos, na perfeição tecnológica e nas admiráveis possibilidades que se anunciam de simular mundos virtuais de aventura e de projecção de ideais sociais, em tudo isto a Igreja vê o poder criador de Deus, de que o ser humano, feito à sua imagem e semelhança, participa.
Os meios de comunicação são dons que Deus põe ao serviço dos homens e "constituem um dos mais valiosos recursos de que o homem pode usar para fomentar o amor, fonte de união" (3). Orientados nesta direcção, colocam-se ao serviço da vontade salvífica de Deus e seguramente contribuirão para o desenvolvimento pleno da pessoa e das sociedades, em ordem à construção da "civilização do amor". E, na perspectiva cristã, esta comunhão de amor "encontra o seu fundamento e figura no mistério primordial da inter-comunicação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que vivem uma única vida divina" (4).
3. Cristo é o "perfeito Comunicador" (5). Deus incarnado e plenitude da revelação, Cristo comunicou a sua mensagem pela palavra e o dom da sua vida, de forma compreensível e iluminadora das situações de vida das pessoas do seu tempo.
A Igreja tem por missão anunciar Cristo e a sua mensagem. Enraizada no mundo e comprometida com o presente e o futuro da humanidade, assume a comunicação como constitutiva da sua própria essência (6).
Através dos seus próprios meios de comunicação social, ou daqueles que a sociedade coloca ao seu dispor, a Igreja não só divulga a mensagem e a vivência do Evangelho, contribuindo assim para a educação da fé dos cristãos, como, pela divulgação das suas perspectivas sobre a vida e a história da humanidade, abre-se ao diálogo com a sociedade, dando o seu contributo específico para a construção de uma cultura que integre os valores humanos e cristãos, e, desse modo, concorra para a formação integral do ser humano.
4. "Os complexos desafios que se apresentam para a educação nos dias de hoje estão frequentemente vinculados à ampla influência dos meios de comunicação social no nosso mundo" (7). São questões que afectam a sociedade, no seu todo, e, particularmente, as instituições educativas. Por isso, afectam também a Igreja, comprometida, pela sua própria natureza, na missão educativa.
Nesta Semana Nacional da Educação Cristã, propomos aos educadores cristãos - pais, professores de Educação Moral e Religiosa Católica ou de outras disciplinas, párocos, catequistas e outros educadores - e a quantos se lhes queiram associar, a reflexão e o debate sobre alguns desafios que os meios de comunicação social lançam à educação das crianças e dos jovens, a saber:

  • a formação das crianças e dos jovens para a correcta utilização dos meios de comunicação social;
  • a preparação dos educadores para o conhecimento e o uso de novas tecnologias de comunicação;
  • a capacitação humana e material das estruturas de coordenação educativa para melhor responderem às novas exigências de formação, com meios adequados.

Não é nosso objectivo dar respostas definitivas a estas questões. Queremos, apenas, lançar algumas pistas de reflexão e sugestões, como seguem.
5. Educar as crianças para o uso correcto dos meios de comunicação social é uma responsabilidade irrenunciável dos pais, da escola e da Igreja.
O crescimento acelerado de novas formas de comunicação social - que assume o seu expoente na internet - e o acesso cada vez mais facilitado aos instrumentos tecnológicos, sobretudo a televisão, o computador e o telemóvel, conduzem a uma situação de concorrência entre a influência formativa dos meios de comunicação social e a da família, da escola e da Igreja, por vezes geradora de conflitos (8). Efectivamente, essa desarmonia pode alterar a qualidade das relações humanas, tão necessária ao desenvolvimento equilibrado das personalidades.
Não raro, pais, professores, catequistas e outros educadores, sentem-se ultrapassados pelos seus filhos e educandos, sobretudo por três factores: a vastidão de informações e de conhecimentos que adquirem através das novas tecnologias, que dominam de forma quase mecânica; os programas de entretenimento, que facilmente os isolam dos contactos interpessoais, privando-os, entre outras coisas, do diálogo familiar; e as vastas relações que estabelecem, não isentas de formas dissimuladas de manipulação. Para essa corrida sedutora aos meios de comunicação contribui muito a influência dos grupos de idades afins em que jovens e crianças estão inseridos.
Há que enfrentar e responder a este desafio colocado a todos os educadores, procurando que se formem adequadamente no conhecimento e na utilização das novas tecnologias, descobrindo as riquezas e os riscos a ela associados. Esta é uma condição essencial para poderem orientar as crianças e os jovens para um uso crítico dos meios de comunicação social, em que se deixem guiar por critérios e valores que lhes permitam fazer escolhas enriquecedoras, crescendo, desse modo, no exercício de uma liberdade responsável.

O papel que os pais devem assumir neste ponto é de importância primordial, pois são os primeiros responsáveis pela formação dos filhos para o uso prudente dos mecanismos oferecidos pelas novas tecnologias.
6. No campo da educação, há que estabelecer o equilíbrio entre a formação adquirida pela imagem, predominante nas mensagens televisivas e que mobiliza, especialmente, emoções, sentimentos e afectos, e a formação veiculada pelos processos que valorizam a leitura, mais apta a estimular uma racionalidade e uma reflexão fundamentais num crescimento humanamente integral.
Estabelecer esse equilíbrio, que garante o desenvolvimento integral das capacidades da criança e do jovem, é um desafio a todas as instâncias educativas, de modo especial à Catequese e à Educação Moral e Religiosa Católica, numa fase de preparação e lançamento de novos catecismos, manuais e outros materais didáctico-pedagógicos.
7. Finalmente, apelamos aos órgãos de coordenação da Catequese e do Ensino Religioso Escolar, em plano diocesano e nacional, aos responsáveis das escolas católicas e aos párocos para que progridam na utilização de recursos educativos, investindo em equipamentos e em formação, criando páginas electrónicas que veiculem propostas próprias ou resultantes das suas pesquisas.
8. Educar é uma tarefa sempre complexa e difícil. Ser educador é um dom e uma responsabilidade.
Nas circunstâncias actuais, adensam-se as problemáticas e impõem-se novas exigências formativas para os educadores. Unidos a Cristo, que disse: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu vos aliviarei" (Mt 11, 28), estaremos seguros de poder experimentar "o suave peso de educar".

É importante clarificar
PUCA - Plano de Urbanização da Cidade de Aveiro

Pelo plano aprovado, agora com um novo período de reclamação – chamamos à atenção do Edital, na Página 4 – podemos afirmar que a cidade de Aveiro vem até Nossa Senhora de Fátima! Contudo, notamos, com justificada preocupação, que o PUCA apenas traz até às portas das nossas casas “zonas industriais, armazenagem, serviços e comércio”!?
Compete a todos nós reflectir sobre estas mudanças.
Apresentamos mais cicno sugestões de reflexão.

Primeira - O desenvolvimento é óptimo mas tem de ser sustentado na clareza de processos e no equilibro entre as causas e os efeitos (por exemplo, uma fábrica pode ser óptima num determinado terreno mas se vai acabar com o futuro das pessoas é melhor repensá-la, deslocá-la). Quem é que aceita, não estando a contar, um presente tão bem embrulhado, com um bonito rótulo (“zonas industriais, armazenagem, serviços e comércio”), que não diz nada de substancial, apenas “Artigo 42º - Definição e Usos
1- Zona que se caracteriza por uma ocupação dominante de edificações de uso industrial e de armazenagem. 2- Serão ainda admitidos usos comerciais, de serviços e, quando se justificar, habitação destinada a guarda das instalações ” O artigo seguinte (do Regulamento do referido Plano, no site da Câmara), continua vago até no que diz respeito às zonas verdes “g) Deverá garantir-se uma arborização adequada à ocupação prevista no lote ou parcela” – o que é “adequada”? Um árvore de 100 em 100 metros? Duas? Um pinheiro? Eucaliptos?...
Segunda– Há qualquer coisa de estranho num Plano de Urbanização que invade uma freguesia sem consultar os habitantes dessa freguesia, fazendo de conta que os terrenos afectos à zona industrial pertencem à freguesia da Oliveirinha! É estranho, não é? Acreditando que os técnicos da Câmara (desde topógrafos, que fizeram o levantamento dos terrenos, aos advogados, que conhecem as leis nacionais) não são ignorantes… aquilo está em Nossa Senhora de Fátima!
Terceira – Há qualquer coisa de anacrónico, sem sentido, num Plano Urbano (urbano!?) que não respeita os elementos urbanos já aprovados pela mesma entidade (Câmara Municipal de Aveiro)! Um bairro, o do Chão Velho, de moradias unifamiliares, fica literalmente cercado por uma zona industrial!? O que é que isto tem de urbanismo ou de planificação?
Quarta – Aparentemente, esta pode ser uma valorização com muito interesse para a Póvoa do Valado, para a Freguesia no seu todo. Porém, fica de fora o mais importante: as pessoas e os serviços essenciais para o seu dia-a-dia (Regulamento do PUCA). Um plano urbano com uma zona industrial, por coincidência assinalada, destacada, no mapa com a cor roxa, uma cor que, na nossa cultura judaico-cristã é associada à tristeza, aos tempos de sacrifício, de conversão (Advento e Quaresma), quando faz fronteira ou é inserido numa malha habitacional deve contemplar, no mínimo, todas as virtudes e vicissitudes dessa decisão. Passe o exagero, é a mesma coisa que uma pessoa construir uma casa e encaminhar todas as saídas de dejectos por o quintal do vizinho porque isso já não lhe pertence (e no caso, Nossa Senhora de Fátima ainda é concelho de Aveiro!);
Quinta – Porque é que não se envolve toda a freguesia no PUCA, de uma forma harmoniosa, com serviços, equipamentos, comércio, zonas habitacionais, solo rural, estruturas ecológicas, etc?! Fica de fora para mais tarde ser retalhada com um outro plano qualquer que destrua umas tantas residências e, às pessoas, seja disponibilizada habitação social no Bairro de Santiago, do Griné ou outros idênticos a construir!?
È preciso unir esforços e pedir os esclarecimentos devidos junto da Câmara, como está referido no Edital já citado.

M. Oliveira de Sousa

Assembleia de Freguesia de Nossa Senhora de Fátima

Sobre o PUCA. Dia 14 de Outubro de 2007, às 15.30h, no Salão Polivalente

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Movimento Paroquial
Nossa Senhora de Fátima

Baptismo
Foi baptizado na igreja de Nossa Sra. Fátima, no dia 9 de Setembro, Luís Manuel Lopes Fernandes, filho de Maria Manuela de Sousa Lopes e António Luís Maia Fernandes. Foram padrinhos António e Emília.

Bodas de Ouro matrimoniais
No dia 15 de Setembro celebraram as bodas de ouro matrimoniais o Sr Vítor Manuel Dias de Carvalho e a D. Maria Fernanda Marques Mostardinha. A ocasião serviu para juntar a família e dar graças a Deus por meio século de vida em comum, pelas muitas coisas boas que se edificaram e, porque não, as que nem sempre foi possível fazer a contento de todos; a obra de Deus é construída ano após ano e, cada ano, tem sempre – no que isto tem de simbólico –as suas Primaveras, os seus Outonos, os seus Invernos mas também a luz da primavera e do Verão que se reflecte no futuro.
O “Notícias de Nariz e Fátima” apresenta votos de das maiores bênçãos de Deus para estas famílias.

Falecimentos


No dia 31 de Agosto, faleceu, com 58 anos de idade, Cláudio Portugal Ferreira Barreiro, de Mamodeiro. Os seus familiares, mãe, esposa e filhos, agradecem o acompanhamento prestado por todas as pessoas nestes dias de luto.


No dia 23 de Setembro, faleceu, com 56 anos de idade, Albino Jorge Carvalho Parado, da Póvoa do Valado.
A sua família apresenta profundo agradecimento a todos os que apresentaram condolências e acompanharam neste momentos de dor.


Amigos do Jornal
Nariz

Amílcar Loureiro 5€, Anónimo 5€, Grupo de Jovens de Nariz (Escrina) 94,17€, Idalete Oliveria Simões 10€, Maria Natália J. Figueiredo (S.J. Talha) 10€, Valdemar Magalhães 10€.
Verba
Amélia Moreira 5€, Antónoi Cândido 6€, Fernanda Barros 7€, Juta Bartel 10€, Madalena Martins 10€, Manuel Dias 20€, Mara da Luz 6€, Maria Encarnação 6€.
Mamodeiro
António Luís Maia Fernandes 20€, Hermínio Esteves 5 €.
Póvoa do Valado
Albino Freitas 5 €, Carlos Cação (França) 20€, Célia Oliveira 5€, João Pereira da Silveira (França) 20€, Laurinda Simões Coutinho 5€, Maria Irene Cação 5€, Olímpia Júlia de Jesus 5€.
Póvoa do Valado (Chão Velho)
Adélio Silva 10€, Ana Simões 10€, Carlos F. Santos 7€, Cristina Simões 10€, Ismael Seixas 5€, Manuel Gregório Gonçalves 10€, Pedro Marques 4€.

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Testemunhos de vida
O Pe Artur partiu para o Pai
Nos anos 1944, 45, 46, deslocava-me ao Seminário de Aveiro dois dias por mês para cortar o cabelo aos seminaristas, e nem só, pois era, ao tempo, profissional de barbearia.
Foi aí que conheci o seminarista Artur Tavares de Almeida; era conhecido por Artur “Avanca”, porque existia outro Artur naquele estabelecimento de ensino.

Cortei o cabelo muitas vezes ao “Avanca” sem sequer pensar que esse mesmo “Avanca” viria a ser, mais tarde, Pároco da minha freguesia e que, embora modestamente, eu viesse a ser seu auxiliar em algumas tarefas.
Colaborei com o Pe Artur na execução de vários trabalhos de interesse comunitário. Posso dizer que passou pela freguesia um homem imitável mas dificilmente inigualável. Esse HOMEM, e escrevo com maiúsculas, foi o Pe Artur Tavares de Almeida.
Sacerdote íntegro, inteiramente submisso aos votos de pobreza, castidade e obediência aos seus superiores hierárquicos, que livremente escolheu na sua ordenação. Acérrimo defensor das suas convicções, austero e obstinado, muito dinâmico, empreendedor e trabalhador, era exigente em pedir mas bem generoso a dar.
Por tudo o que fez pela freguesia é merecedor de ser apontado como exemplo, pois abriu um espaço único de definido, onde se espelha a grandeza da sua obra, a força do seu talento e o desprendimento total a favor do próximo, reservando apenas para si a recompensa divina.
Altamente compreensivo para com os seus detractores, aqueles que o criticavam e por vezes aviltavam, o Pe Artur respondia calmamente… “eles não são maus, querem confessar publicamente que nada fazem”!
Fazendo fé no adágio que diz pelo sabor dos frutos que se classifica a árvore, temos de afirmar que a árvore morreu de pé e os frutos atesta a sua existência. Por aquilo que deixo dito e por muito mais, sem favor poderia dizer, o Pe Artur conseguiu ultrapassar a barreira da morte e continua vivo, e bem vivo, e podemos vê-lo, admirá-lo sempre que olharmos para as obras que realizou.
Obrigado Pe Artur!
Que o Pai o receba na sua Glória e lhe conceda a Paz; aquela Paz que nem sempre lhe facultámos na terra!

Augusto Branco


Dos nossos leitores - Parábolas com memória

O menino pobre a rica avarenta
Em Fevereiro de 1954, um menino de doze anos, pobre, frequentava a Escola Primária, como na altura se chamava, e levava na sua sacola um pequeno lanche: um punhado de azeitonas e um naco de pão de milho (alternada, outras vezes, com uma cebola crua com sal!).
Certo dia ao regressar a casa, depois de se despedir dos seus amigos, em que cada qual seguiu o seu rumo, saltou a tapada que vedava um pomar de laranjeiras com a intenção, motivada pela fome, de ali apanhar algumas.

Começou, como se imponha o respeito pelo alheio, a apanhar as que estavam no chão, a estragarem-se. De repente, ouve uma voz grave a chamar pelo seu nome. O pequenito, reconhecendo a dona do pomar à janela da sua casa. Esta convida o pequenito a sair pelo portão do quintal, a não saltar a vedação, e a trazer as laranjas que apanhara. O miúdo, envergonhado com a franqueza da senhora, fez como esta mandou.
Ao sair, a dona perguntou-lhe: “quantas laranjas levas?” “Seis” – respondeu o pequeno. “Então deixas essas aí e leva seis daquele cesto!” – retorquiu a senhora.
Meio desconfiado… lá cumpriu a ordem! E quando retoma o caminho, dá início sôfrego à magra refeição. Primeira laranja… podre; segunda, também; terceira… seca!? Nem uma! Nem uma se aproveitou!
“Esta agora” – pensou – “estes ricos são mesmo avarentos. Escolhi das mais fracas e ainda me deu pior que isso! Deixa estar que não hás-de ficar sem resposta”!
Passados uns dias, sendo tempo de laranjas, tempo Inverno, no regresso da escola, com a merenda do costume, nem tempo houve para degustar a meia dúzia de azeitonas, dada a pancada de água e as rajadas de vento! Ao passar o quintal viu a “manta” de laranjas que o temporal estava a derrubar, e… zás! “Não é tarde, nem é cedo” – comentou para si próprio. Saltou a cerca, abeirou-se de um molhe de canas e com toda a força que pode, derrubou das melhores.
Pegou no saco que servia de capuz, enche-o, e, banhado em água, carregou para casa laranjas para um mês!
E todos os dias, enquanto aquelas duraram, fez questão de, no percurso para a escola, deixar umas tantas cascas à porta da senhora!
Assim, mesmo não sendo uma atitude que orgulhe alguém, ia tentando reparar a avareza extrema de quem tudo quer.

José de Sousa Oliveira

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Gente da nossa gente
Nome:
Mónica Vieira Rodrigues
Idade:
17
Profissão:
Estudante
O que mais gosto:
Viver a vida! Estar rodeada pelos meus amigos e família, e poder dividir com eles todas as experiências que me vão surgindo no quotidiano. E … chocolate!
O que menos gosto:
Passar roupa a ferro (risos).
Actualmente estás a começar o 12º ano. É um ano de muita responsabilidade. Quais são as expectativas?
É verdade! É um ano muito exigente e importante na vida escolar de um aluno, repleto de novas emoções, da escolha definitiva para o próprio futuro profissional. É o ano que antecede a um novo e grande passo da nossa vida, isto é, a universidade. Neste momento as expectativas são promissoras e espero poder alcançar todos os meus objectivos de modo a que no próximo ano lectivo seja, enfim, uma caloira!
Que pensas seguir? (Universidade, que curso e porquê)
Pois…esse é ainda o meu grande dilema, porque ainda não está totalmente definida a minha decisão. Mas tenho em vista prosseguir os meus estudos na área da nutrição e deste modo irei, provavelmente, estudar na universidade do Porto, para tirar o curso de nutricionista. É algo ainda em fase de decisão, mas é uma profissão muito actual e com saída profissional porque, actualmente, a saúde e o bem-estar da sociedade são fundamentais e cada dia aumenta a preocupação das pessoas sobre problemas como a obesidade, excesso de peso, e este tipo de problemas pode acarretar diversas complicações a nível de saúde pessoal da sociedade, e no entanto são tão simples de prevenir com a ajuda de um profissional qualificado.
Numa altura em que se fala muito da qualidade de ensino e das escolas, como é que analisas o teu ambiente escolar (condições da escola, ambiente etc)?
Actualmente, eu frequento a escola secundária Dr. Mário Sacramento em Aveiro. Esta foi a escola que eu optei para prosseguir os meus estudos. É uma escola com um ambiente entre alunos razoável e com uma relação aluno/professor muito familiar. Como é óbvio tem alguns aspectos menos positivos, mas nada que também não haja nas outras escolas da cidade, assim como também apresenta aspectos muito bons. Em termos de professores, temos professores espectaculares, que nos cativam para a vida escolar e nos aliciam a estudar, mas como “não há bela sem senão”, existem alguns membros, que nós alunos, desejaríamos não ter o prazer de conhecer. (risos)
Mas nem tudo na vida é estudo ou trabalho. Como gostas de ocupar os teus tempos livres?
Esta é a melhor parte da vida! Eu gosto de fazer muitas coisas, de ler um grande livro ou uma simples revista, ir ao cinema ou ver um bom filme na TV, ir à praia/piscina no verão, fazer desporto (era membro da equipa de voleibol do desporto escolar da minha escola e habitualmente costumo fazer jogging ou andar de bicicleta ao final do dia, etc), adoro estar com os amigos para pôr a conversa em dia ou passar o dia completamente isolada do resto mundo a ouvir música, a pensar na vida e naquilo que ela se está e pode vir a tornar. O segredo para uma feliz e longa vida é aprender a saborear cada momento como se este fosse único e não se voltasse a repetir. Por isso, eu tento viver cada dia como se todos fossem especiais, pois na verdade nós não sabemos o que nos reserva o futuro de amanhã.
Na paróquia entre outras coisas, és acólita. Como é que surgiu a vontade de integrar esse grupo?
É verdade! Já faço parte do grupo de acólitos da paróquia à alguns anos, desde tenra idade! E sinto-me privilegiada por poder colaborar e dar o meu contributo à nossa comunidade desta forma. Esta ideia surgiu de repente, tendo sido na altura influenciada pelas minhas colegas que também estavam a pensar entrar para o grupo e de facto essa não me soou de todo estranha e pensei que seria uma boa experiência a passar e acordei um dia e decidi: “Mãe, quero entrar para os acólitos!”
Participas-te também no último campo de férias. Como é que foi essa experiência?
Inesquecível! Foi o meu primeiro campo de férias e como sempre tinha ouvido os meus irmãos comentarem acerca dos campos de férias da paróquia em que eles tinham participado e sempre falaram com tanto entusiasmo e vivacidade, que eu fiquei logo entusiasmada com a ideia de poder participar e este ano como estava disponível e recebi o convite para participar, decidi ver como seria esta nova aventura. E digo desde já, muito obrigado e parabéns à organização e para o ano estaremos cá todos para participar outra vez! Eu recomendo vivamente, é uma semana diferente, longe da civilização (TV, Internet, telemóvel, MP3, etc), e além de tudo é óptimo para travar novas amizades e até mesmo fortalecer as amizades que já levamos de fora. Foi, sem dúvida, uma semana muito bem passada com um grande contacto com a natureza cheia de actividades e novas sensações.

PUCA - novo período de discussão pública
Câmara Municipal de Aveiro
EDITAL N.º 172/2007

ÉLIO MANUEL DELGADO MAIA, PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL
DE AVEIRO
Faz público na sequência da Reunião Pública de 23 de Julho de 2007, em que a Câmara Municipal de Aveiro ponderou os resultados da discussão pública do Plano de Urbanização da Cidade de Aveiro, e aprovou a versão final da proposta do plano, tendo ainda deliberado a abertura de um novo período de discussão pública, face às alterações ocorridas.
No cumprimento da legislação aplicável, foi publicado o edital 713-B/2007 de 31 de Agosto, na II Série do Diário da República, a publicitar a abertura do novo período de discussão publica, a qual irá decorrer desde o dia 17 de Setembro de 2007 a 19 de Outubro de 2007.
Durante este período a proposta acompanhada do parecer da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional e dos demais pareceres emitidos, encontra-se disponível para consulta, no Departamento de Desenvolvimento e Planeamento Territorial – DDPT, no Edifício do Centro Cultural e de Congressos, sito no Cais da Fonte Nova, e nos Edifícios das Juntas de Freguesia do Município de Aveiro a seguir indicadas: Aradas; Eixo; Esgueira; Glória; Oliveirinha; Santa Joana; São Bernardo e Vera-Cruz, e ainda no site da Câmara Municipal de Aveiro (www.cm-aveiro.pt).
Os interessados, devidamente identificados, devem apresentar as suas reclamações, observações, sugestões, e pedidos de esclarecimentos, mediante requerimento dirigido ao Presidente da Câmara, com entrada no Atendimento Geral da CMA, ou através de formulário disponível no DDPT e no site da CMA..
Para constar e devidos efeitos se lavrou o presente edital e outros de igual teor, que vão ser anunciados e afixados nos lugares do estilo.
Aveiro, Câmara Municipal, 13 de Setembro de 2007
O PRESIDENTE DA CÂMARA,

Dr. Élio Manuel Delgado Maia