quinta-feira, outubro 10, 2013

Obrigado, Sr Bispo! - D. António Marcelino (21 de setembro de 1930–9 de outubro de 2013)


LER A REALIDADE SOCIAL E A PRÓPRIA VIDA
D. antonio marcelino
Desde que o Vaticano II nos empurrou para uma Igreja fora de portas e para uma vida de confrontos, sempre senti a necessidade de ler melhor a realidade e a minha vida. F uma exigência de fidelidade à missão e de atenção ao que em mim se vai passando. É talvez momento para dar razão desta minha preocupação. No próximo fim de semana, se Deus mo permitir, completo 83 anos de vida e 38 de bispo. Há três meses somei, com alegria e gratidão, 58 de padre. Dirá o povo que idades de tal monta, constituem um bonito rol. E eu acho que assim é.
Não escrevo para narrar nostalgias e muito menos para me gloriar com o que vivo,   nem para me penitenciar pelo que não fiz ou fiz menos bem. Estas contas tenho de as acertar noutra instância.
Passaram pela minha vida mudanças sociais e acontecimentos que me foram ensinando a alegrar-me com os estão alegres e a sofrer com os sofredores. Abriu-se-me um mundo de oportunidades que me estimulam e me empurram. Sou emigrante desde criança. Doze anos na minha terra, outros tantos no Seminário, três em Roma, dezoito em Portalegre, pouco mais de cinco em Lisboa e há perto de trinta e três em Aveiro. Nunca me senti contrafeito, nem a mais. Gostei de estar onde estive. Aí regresso com uma alegria serena. Nunca vi que a minha presença fosse incómoda. Não me alvoracei com honras e encargos Nunca me senti triste ou vencido por não ser reconhecido ou pelo que não pude fazer ou as circunstâncias me lo vedaram. Vivo reconciliado com a vida e comigo próprio Sem inimigos. E amigos? Agora, talvez mais amigos do personagem bispo que fui, do que da pessoa do bispo que sou. De ontem ou de hoje os verdadeiros amigos não fazem distinções. São amigos.
Tudo isto vem a que propósito? É um testemunho a que a vida me aconselha. Tenho defeitos e qualidades. Procuro que as limitações me não levem a desistir e as qualidades me capacitassem para agir melhor e seguir em frente. É sempre a vida que comanda. Deus faz nela história connosco e, se deixarmos, faz história de salvação. Tive a graça de viver, como padre novo, o tempo do imediato ante concílio, do concilio e após concílio. Senti ao vivo a urgência de uma Igreja outra e do Povo de Deus como o grande obreiro do Reino; descobri o significado do Colégio Apostólico e da hierarquia como serviço; acordei mais para o dever de reconhecer e promover os leigos cristãos na sua dignidade e missão própria, na Igreja e no mundo; tomei consciência de que a santidade é vocação universal e dever de todos; vi com clareza a condição normal da Igreja peregrina,  evangelizadora e missionária por sua natureza e sempre em caminho de conversão:; agradeci a visão nova da liturgia, a descoberta da Palavra de Deus para os cristãos e as comunidades; vivi a novidade das novas relações da Igreja – Mundo; rejubilei com a abertura ecuménica e com a declaração sobre a Liberdade Religiosa; agradeci a Deus os Papas João XXIII pelo seu gesto corajoso, e Paulo VI pela sua lucidez e coragem…
Tudo isto me foi marcando para um rumo pastoral novo. Percebi cedo que a sorte do Vaticano II estava na mão dos bispos e dos seus colaboradores, clérigos e leigos. Procuro, então, que as minhas opções e da Igreja que sirvo, sejam inspiradas no Vaticano II. Assim desde o dia da ordenação episcopal, até hoje. Ao chegar a Aveiro, já marcado por lutas do PREC, encontrei em D Manuel, de que fui coadjutor, um verdadeiro bispo conciliar. Sempre nos entendemos bem. Falávamos a mesma linguagem e os planos e projetos pastorais não podiam ter senão uma inspiração, conciliar. Depois, dei-me por inteiro à promoção das vocações, à formação dos padres, dos leigos, e dos diáconos e à animação missionária. Procurei atender melhor, com a ajuda dos novos vigários episcopais, os consagrados, a educação cristã, a pastoral social, os movimentos laicais, a família, a pastoral geral e a abertura e diálogo da Igreja diocesana com o mundo. Procuramos, D Manuel e eu, “um só “como ele gostava de dizer,  que as instituições e serviços, então e depois criados, servissem o ideal conciliar: Casa Diocesana, Instituto Superior de Ciências Religiosas (ISCRA), Centro Universitário Fé e Cultura (CUFC), última fase do Stela Maris, recuperação para o património diocesano da antiga “casa do bispo”, agora sede da Cáritas, Carmelo Cristo Redentor, edifício da Cúria Diocesana, Colégio Diocesano de Calvão… De cariz e pedagogia conciliar, realizaram-se, a pedir atenção, o Sínodo Diocesano, o Congresso dos Leigos, os Dias da Igreja Diocesana, o Fundo Diocesano do Clero… Nada disto surgiu por acaso. É obra da comunidade diocesana, sob a orientação de quem a servia. Hoje. o Vaticano II, dada a realidade, clama pela urgência da sua inspiração e aplicação e da fidelidade ao essencial da missão da Igreja.
Aceite em 2006 a minha resignação, então com 76 anos, optei, por razões teológicas e efetivas normais, continuar na Diocese, agora como bispo de Aveiro emérito. Colaboro no Tribunal Diocesano, na formação de leigos e de consagrados, na imprensa diocesana, nas paróquias onde me enviam ou me chamam… Tenho ainda encargos a nível nacional. Não estou a mais, não faço sombra a ninguém. Sou irmão sempre disponível para o bispo diocesano, meu sucessor. Procuro ser memória histórica útil para a Igreja de Aveiro, que avança no tempo.. Para quem souber teologia e respeitar sentimentos, a minha opção é percebida e agradecida. Mia Coito põe na boca de um ancião africano esta palavra clarividente: “O importante não é casa onde moramos, mas onde em nós a casa mora”. A minha casa mora é o meu coração. Ai a guardo, desde o dia 1 de Fevereiro de 1981, um amor incondicional e irreversível. Este amor chama-se Diocese de Aveiro.
Último artigo de D. António Marcelino para o Correio do Vouga, de 18 de setembro de 2013
 
ALGUMAS DATAS BIOGRÁFICAS
1930
21 setembro – Nasce António Baltasar Marcelino, em Lousa, Castelo Branco, filho de Maria Cajado e Manuel Almeida Marcelino.
1942
Entra no Seminário Menor de Gavião. Os anos da Filosofia são feitos no Seminário de Alcains.
1950
No Seminário de Marvão, que funciona como Seminário Maior, fica tuberculoso, pelo que tem de interromper os estudos durante um ano. Tem o apoio decisivo de D. António Ferreira Gomes, de quem recebe as ordens menores.
1955
9 junho – É ordenado presbítero na Catedral de Castelo Branco, por D. Agostinho Moura. Reza Missa Nova no dia 12. Pe. António Marcelino vai para Roma estudar Direito Canónico, sabendo que, ao regressar, o espera o Seminário Maior de Portalegre, inaugurado em Outubro deste ano.
1958
Dá aulas de Direito Canónico, Teologia Moral, Missionologia, Acção Católica e Filosofia, no Seminário Maior de Portalegre.
Nesta época, introduz os Cursos de Cristandade na Diocese de Portalegre, depois de uma viagem a Espanha para estudar o seu funcionamento.
1961
Escrevendo nos jornais “Reconquista” (de Castelo Branco) e “Distrito de Portalegre”, publica neste ano uma série de artigos sobre a reforma agrária que causam grande polémica. Alguns dos seus textos de imprensa são cortados pela Censura.
1962-1965 -II Concílio Vaticano.
Pe. António Marcelino cria uma “comissão pré-concílio”, que recebe, traduz, adapta e divulga os documentos saídos da reunião magna dos bispos do mundo inteiro. Com outros colaboradores, forma uma escola de formação de leigos, com núcleos em Abrantes, Portalegre e Castelo Branco.
1969
Nomeado delegado de D. Agostinho Moura para a formação do Instituto Superior de Teologia e Humanidades, no Porto, onde estudam os seminaristas maiores de dioceses como Portalegre e Castelo Branco, mas também de Aveiro e de Vila Real.
1972-1975
Director do Secretariado Nacional da Pastoral, dependente da Conferência Episcopal Portuguesa.
1975
15 julho – Nomeado Bispo Auxiliar do Patriarca de Lisboa, com o título de Bispo de Cércina.
21 setembro – Ordenado Bispo na Catedral de Portalegre por D. António Ribeiro. Enquanto Bispo Auxiliar em Lisboa é responsável pela zona pastoral do Oeste (Mafra, Caldas, Torres Vedras…)
1975-81
Presidente da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais (dois mandatos). Está na origem do programa 70×7.
1980
Participa no Sínodo dos Bispos sobre a Família, em Roma, onde intervém sobre a “família e os meios de comunicação social”:
1980
19 dezembro – É nomeado Coadjutor do Bispo de Aveiro, sem direito a sucessão.
1981
1 fevereiro – Início do ministério episcopal de D. António Marcelino, em Aveiro
1981-87
Preside à Comissão Episcopal da Acção Social e Caritativa (dois mandatos). Neste período são criadas as jornadas de Pastoral Social, para formação dos agentes.
1983
8 setembro – D. António Marcelino passa a ter direito de sucessão.
1987-93
Preside à Comissão Episcopal da Família (dois mandatos), criando as jornadas de Pastoral Familiar.
1988
20 janeiro – Bispo de Aveiro.
Em Maio ordena os primeiros diáconos permanentes da diocese.
Realiza-se o Congresso dos Leigos e D. António anuncia a realização do II Sínodo Diocesano.
1989
Constituição do Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro – ISCRA.
1990-1995
Sínodo Diocesano de Aveiro
1991
Participa no I Sínodo dos Bispos sobre a Europa.
É inaugurado o edifício do Centro Universitário Fé e Cultura, em Aveiro.
1992
Institui o Fundo Diocesano de Compensação do Clero.

1993-99
D. António integra o Conselho Permanente da CEP. É presidente da Comissão Episcopal do Apostolado dos Leigos, criando as jornadas e o Fórum da Acção Católica.
1999-2005
É vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.
1999
Participa no II Sínodo da Europa (por eleição da CEP). As suas intervenções, ao lado do Cardeal Martini, então bispo de Milão, obtêm grande eco na imprensa internacional por ter sugerido que “o estatuto das mulheres na Igreja é uma questão por resolver”.
1999
Preside à visita “ad sacra limina” (visita que os bispos, por países, fazem periodicamente ao Papa), por impossibilidade do presidente da CEP, D. José Policarpo.
2000
O primeiro-ministro António Guterres impõe a D. António a Grã-Cruz da Ordem de Mérito, atribuída pelo presidente Jorge Sampaio. A Câmara Municipal, posteriormente, atribui-lhe a Medalha de Ouro do Município.
2004
Conclusão do Sínodo sobre os Jovens de Aveiro
2005
10 a 12 de junho – Congresso Eucarístico, no encerramento comemoram-se 50 anos do seu Sacerdócio. Em dezembro, é atribuída a D. António a Medalha de Ouro da Universidade de Aveiro.
2006
24 setembro – Anuncia à Diocese o seu sucessor: D. António Francisco dos Santos.
2011
Vogal da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé.
Publica o livro “Pedaços de vida que geram vida”.
2012
Publica o IVº Volume de “A vida também se lê”.
2013
9 outubro – Falecimento no Hospital Infante D. Pedro – Aveiro.

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terça-feira, julho 30, 2013

P.e José Manuel Marques Pereira, Pároco de S. Pedro de Nariz, continuando Pároco de Nossa Senhora de Fátima


O Sr Bispo de Aveiro recria a ligação pastoral entre Nariz e Fátima.
Para este jornal, cuja razão de ser foi esta motivação pastoral, é motivo de regozijo. Compreendendo todas as razões que presidiram a esta alteração, partilhamos a satisfação por ver também o Arciprestado de Aveiro poder confinar com o Concelho de Aveiro, dando maior coesão às duas ordens administrativas.

NOMEAÇÕES
A missão de Jesus anima a missão da Igreja. Neste tempo de Missão Jubilar, o lema que escolhemos “Vive esta hora!” indica-nos um contínuo apelo à missão e um renovado caminho de serviço ao Povo de Deus, que é a Igreja.
A Missão Jubilar é mais do que uma pedagogia criativa de acção pastoral. Ela constitui verdadeira alma inspiradora deste nosso «ser Igreja», vivendo o nosso «ser em Cristo» e empenhando todas as pessoas na construção de um mundo melhor.
Neste belo e bom caminho que estamos a percorrer, todos somos necessários e todos nos devemos sentir envolvidos, abrindo o coração e a inteligência aos dons do Espírito, e tantos eles são, concedidos a cada um de nós para os colocarmos e multiplicarmos ao serviço do bem de todos.
Como discípulos de Jesus e continuadores da sua missão, pede-se de modo concreto e específico aos sacerdotes uma permanente disponibilidade e uma fortalecida generosidade para que, na alegria da comunhão sempre testemunhada e no encanto da Missão vivida, sejamos fiéis servidores do Povo de Deus.
Sei como é acrescido o trabalho que a todos e a cada um se pede, mas conheço igualmente o caminho feito pela nossa Diocese e o testemunho sempre dado pelo presbitério diocesano para que, em comunhão com o seu bispo, diáconos, consagrados e leigos, vivamos esta hora como momento de renovação para a Igreja, aurora de alento para o Mundo e certeza de Páscoa perene para a Humanidade.
Deus que nos chamou à vida e à fé, nos ungiu no ministério ordenado e nos enviou para a missão, precede-nos e acompanha-nos neste caminho de serviço ao seu Povo.
Consciente da colaboração fraterna de todos, olho o futuro com esperança ao ver surgir no horizonte próximo novos sacerdotes, servidores da Messe, que serão sempre dom maior de Deus à nossa Diocese.
Agradeço a todos os que iniciam novos múnus pastorais a disponibilidade e a confiança reveladas. Agradeço igualmente a quantos cessam missões a generosidade e a dedicação ao Povo de Deus, desde sempre testemunhadas.
Neste espírito de Missão Jubilar que a todos convoca para o serviço do Povo de Deus;
HEI POR BEM NOMEAR:
P.e António Aparício Cardoso, Pároco de S. Salvador de Covão do Lobo, de Santa Catarina e de Nossa Senhora da Luz de Ponte de Vagos, no Arciprestado de Vagos.
P.e António Francisco da Silva Cabeça, Pároco de S. João Baptista de Rocas do Vouga, continuando Pároco de S. Martinho de Pessegueiro do Vouga e Arcipreste de Sever do Vouga.
P.e Armando Baptista da Silva, Pároco in solidum da Paróquia de Santo André de Esgueira, no Arciprestado de Aveiro;
P.e César Fernandes, Vigário Paroquial de Nossa Senhora do Carmo da Gafanha do Carmo, continuando Vigário Paroquial de Nossa Senhora da Nazaré da Gafanha da Nazaré e de Nossa Senhora da Encarnação da Gafanha da Encarnação, no Arciprestado de Ílhavo;
P.e Daniel Paulo Gonçalves Rocha, Pároco in solidum / Moderador da Paróquia de Santo André de Esgueira, no Arciprestado de Aveiro;
P.e Fernando Simões de Carvalho e Silva, Vigário Paroquial de S. Salvador de Ílhavo, no Arciprestado de Ílhavo;
P.e Francisco José Rodrigues de Melo, Pároco de Nossa Senhora do Carmo da Gafanha do Carmo, no Arciprestado de Ílhavo, continuando Pároco de Nossa Senhora da Nazaré da Gafanha da Nazaré, de Nossa Senhora da Encarnação da Gafanha da Encarnação, Vigário Episcopal da Pastoral e Coordenador da Missão Jubilar;
P.e Ivanil José Portela, Pároco de Santo Estêvão de Couto de Esteves e de Nossa Senhora do Loreto de Paradela, continuando Pároco de S. João Baptista de Cedrim, no Arciprestado de Sever do Vouga;
P.e Luís Manuel Barbosa de Oliveira, Pároco de Santa Eulália de Eirol e de Santo Isidoro de Eixo, continuando Pároco de S. Bernardo, no Arciprestado de Aveiro;
P.e João Manuel Marques Gonçalves, Vigário Paroquial de S. Bernardo, de Santa Eulália de Eirol e de Santo Isidoro de Eixo, no Arciprestado de Aveiro, continuando Assistente do Secretariado Diocesano da Animação Missionária;
P.e Joaquim Martins, Pároco de S. Vicente da Branca e de S. Tiago de Ribeira de Fráguas, no Arciprestado de Albergaria-a-Velha;
P.e José Augusto Pinho Nunes, Pároco de Santo António de Oliveirinha e de S. Paio de Requeixo, no Arciprestado de Aveiro;
P.e José Manuel Marques Pereira, Pároco de S. Pedro de Nariz, continuando Pároco de Nossa Senhora de Fátima e Arcipreste de Aveiro;
P.e Manuel António Carvalhais, Administrador Paroquial de S. Miguel de Soza e de Santo António de Vagos, continuando Pároco de S. Tiago de Vagos e Arcipreste de Vagos;
P.e Manuel Dinis Marques Tavares, Administrador Paroquial de Santa Eulália de Vale Maior, com a colaboração do P.e Joaquim Martins, continuando Pároco de Santa Cruz de Albergaria-a-Velha, no Arciprestado de Albergaria-a-Velha.
P.e Manuel Mário Ferreira, Pároco de S. Pedro da Palhaça, continuando Pároco de S. Simão de Oiã e Arcipreste de Oliveira do Bairro;
P.e Pedro José Lopes Correia, Vigário Paroquial de Nossa Senhora do Carmo da Gafanha do Carmo, continuando Vigário Paroquial de Nossa Senhora da Nazaré da Gafanha da Nazaré e de Nossa Senhora da Encarnação da Gafanha da Encarnação, no Arciprestado de Ílhavo e Assistente da Comissão Diocesana Justiça e Paz;
P.e Pelágio Faz Tomás, Vigário Paroquial na Unidade Pastoral de Águeda, no Arciprestado de Águeda;
Diácono Hélder Manuel Ruivo Gonçalves, em Estágio Pastoral nas Paróquias de Nossa Senhora da Nazaré da Gafanha da Nazaré, Nossa Senhora do Carmo da Gafanha do Carmo e Nossa Senhora da Encarnação da Gafanha da Encarnação, no Arciprestado de Ílhavo;
Diácono Leonel Santiago de Abrantes, em Estágio Pastoral nas Paróquias de S. Simão de Oiã e de S. Pedro da Palhaça, no Arciprestado de Oliveira do Bairro;
Diácono Victor Marques Cardoso, em Estágio Pastoral nas Paróquias de S. Vicente da Branca e de S. Tiago de Ribeira de Fráguas, no Arciprestado de Albergaria-a-Velha.
Aveiro, 25 de Julho de 2013, Festa litúrgica de S. Tiago, Apóstolo
António Francisco dos Santos, bispo de Aveiro
































quarta-feira, julho 24, 2013

"Carta de Recomendação" aos candidatos a representantes do poder local - Nª Sª de Fátima – 2013.07.10 | IV COLÓQUIO do Jornal Notícias de Nariz e Fátima


Aos Candidatos aos Órgãos de Poder Local – Eleições Autárquicas de 29.setembro.2013

CARTA DE RECOMENDAÇÃO
 

A concretização do IV Colóquio deste jornal, aberto às comunidades de Requeixo, Nª Sª de Fátima e Nariz, sustentada numa introdução fundamentada, pelo Professor José Carlos Mota, da Universidade de Aveiro, refletiu a importância do poder local num tempo de grandes mutações sociais, políticas, económicas, financeiras. 
Este evento pretendeu, em última instância com este “instrumento de trabalho” (Carta de Recomendação), dar voz às pessoas; sistematizar o que se quer (prioridades e proposta de ideias) em Requeixo, Nª Sª de Fátima e Nariz para 2013-2017; apresentar propostas com ou sem respostas; suscitar e assumir pro-atividade na concretização do futuro local, regional, autárquico, em consequência da aplicação da Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro, que aprovou a reorganização administrativa das freguesias por agregação de acordo com os princípios, critérios e parâmetros definidos na Lei n.º 22/2012, de 30 de maio, com as especificidades aí previstas.
Cidadãos, associações, empresas, instituições e entidades, que vivem, trabalham, participam juntos nesta União de Freguesias, protagonistas pelo dinamismo a sul do Concelho de Aveiro apresentam ideias que projetam e gostariam de ver concretizados pelos poderes públicos locais nos próximos quatro anos. 
Pelo exposto, RECOMENDAMOS a todos os candidatos aos Órgãos Autárquicos, com responsabilidade nesta União de Freguesias, a sufragar em 2013.09.29: 
1- Inquietações - diagnóstico
a. O poder do poder local, com as práticas pouco democráticas vigentes (auscultação dos cidadãos sem consequências práticas), é nulo. Reveja-se os casos no tratamento dado às posições assumidas nas reuniões da Assembleia de Freguesia sobre restruturação administrativa e Estação de Tratamento Mecânico-Biológico;
b. A reorganização administrativa das freguesias. Pouca ponderação sobre a história e o sentir destes lugares;
c. O tráfego na Estrada Nacional nº 235: barreira quase intransponível e perigo contínuo;
d. Os interesses primordiais dos representantes do povo, os políticos;
e. Os custos da periferia do Concelho, nomeadamente de Nariz, com serviços de proximidade a serem prestados por uma Freguesia de outro Concelho;
f. A mentalidade do político “eu quero, posso e mando” e do “político empreiteiro”;
g. Modelo de gestão autárquico na União de Freguesias;
h. Descentralização e transversalidade de serviços das freguesias;
i. Revisão do Plano Diretor Municipal;
j. Os animais abandonados;
k. A criação de estruturas e equipamentos sem consulta às populações e entidades abrangidas pelo e no assunto;
l. Transportes públicos que funcionam exclusivamente no período escolar. Portanto, transportes escolares que também transportam outros públicos;
m. EN 235. As bermas não se encontram asfaltadas, niveladas; não há faixa de paragem de emergência; existe cascalho solto que impossibilita a circulação de peões e bicicletas, obrigando ao uso da faixa de rodagem, com todos os riscos inerentes;
n. Qualidade de vida da população Sénior (isolamento);
o. Deterioração de espaços e serviços públicos: ruas, rede de saneamento básico (ainda incompleta), fontes;
p. Conceito de cidadania e falta de envolvência dos cidadãos, até dos mais ativos em várias áreas de ação.

2- Compromissos (que se ambicionam e assumem) para incentivar e concretizar, dentro das circunstâncias atuais:
a. Respeito pelos cidadãos. Informação clara, atualizada, atempada, e transparência na defesa das ideias e projetos da União das Freguesias;
b. Sinergias entre o conhecimento e equipamentos disponíveis. Por exemplo, rentabilizar espaços e empresas que poderão desenvolver serviço público (Aveiro Business Center, Centro de Incubação de Aveiro,…);
c. EN 235. Eliminação dos constrangimentos e correção da estrutura para melhorar a circulação e evitar maiores tragédias;
d. Estação de Tratamento Mecânico-Biológico. Monitorização do serviço, qualidade do ar e água, construção das vias de acesso;
e. Mobilidade. Condições e escolhas de acessibilidade e mobilidade que proporcionem deslocações seguras, confortáveis, com tempos aceitáveis e custos acessíveis. Lançar bases para rede de passeios e equipamentos cicláveis;
f. Educação. Envolvimento efetivo nos órgãos de negociação e decisão sobre a rede de oferta educativa e formativa;
g. Desporto e cultura. Articulação de ofertas e infraestruturas;
h. Cuidados de Saúde. Garantia de funcionamento em horários que sirvam as populações;
i. Apoio à Senioridade. Gestão articulada dos serviços existentes, acrescentar eventual Centro de Noite, e não esquecer a intergeracionalidade em matéria de mobilidade e acessibilidades;
j. Serviços de proximidade: correios, papelaria, farmácia, fisioterapia, postos de acesso às novas tecnologias;
k. Iluminação pública nas vias principais – prioritário: rua direita (Póvoa do Valado) na ligação a Verba e à Vessada;
l. Supervisão e manutenção de estruturas e obras de arte: fontes, fontenários, cruzeiros, pontes, rede de saneamento, estacionamentos, pavimentação, pracetas;
m. Zonas Industriais: rever ligações e captar investidores;
n. Redefinição da oferta imobiliária para atração e fixação de pessoas, com qualidade de vida;
o. Envolvimento e acompanhamento das associações, instituições e clubes nas decisões sobre matérias e ações específicas. Dar mais voz e vez ao que o associativismo faz gratuitamente (face ao Estado) e melhor;
p. Criar e qualificar transporte entre os serviços públicos disponíveis nas três freguesias que constituem a recém criada União de Freguesias;
q. Rentabilizar o que temos de bom através de um projeto âncora, de atração de pessoas e desenvolvimento económico, para cada Freguesia;
r. Cidadania ativa. Os cidadãos vão mobilizar-se mais, estar mais vigilantes, sensibilizar mais para os interesses coletivos, para os movimentos cívicos.
A concluir, vale a pena associarmo-nos para concretizar o que desejamos e sonhamos. Acreditamos que os nossos governantes governarão tanto mais quanto nós nos empenharmos. Esta “Carta de Recomendação” encerra, porventura, algumas críticas; estas são, no entanto, sentido para apontar caminhos novos numa realidade nova que exige mentalidades novas. Atentos, seremos criativos e incentivadores dos nossos autarcas.
Nª Sª de Fátima, 10 de julho de 2013.